terça-feira, 29 de junho de 2010

Planetário reabre em novembro

As obras de recuperação do espaço físico mais visitado da capital estão em ritmo acelerado. Na reinaguração, um projetor de alta definição dará mais nitidez às imagens captadas do espaço


Noelle Oliveira - Correio Braziliense
Publicação: 29/06/2010 07:56

O Planetário de Brasília deverá ser reaberto em novembro. A previsão é de que a parte física da obra iniciada em 2008 fique pronta em outubro, faltando apenas a instalação das máquinas para projeção de imagens. Para equipar o novo planetário foi adquirido pelo Governo do Distrito Federal (GDF) o que há de mais moderno em termos de projeção digital. Atualmente, existem apenas dois equipamentos do tipo instalados no mundo, ambos na Alemanha. Para comprar o projetor de alta definição foram gastos cerca de R$ 6,6 milhões. Para a conclusão das instalações do prédio, que exigiu a derrubada e a construção de novas estruturas, o governo local desembolsou R$ 9,2 milhões.

Carlos Brito diz que o reforço da estrutura motivou o atraso na reforma - (Rafael Ohana/CB/D.A Press
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Carlos Brito diz que o reforço da estrutura motivou o atraso na reforma
A intenção é que o ponto turístico, que já foi um dos mais visitados da capital, volte a ser referência, dessa vez, mundial. “A obra atrasou porque tivemos que fazer todo um reforço das estruturas do prédio antes que as modificações fossem feitas, mas agora já estamos em uma etapa bem evoluída, em que o trabalho flui com mais rapidez”, explica Carlos Brito, da diretoria de Políticas Governamentais da Secretaria de Ciência e Tecnologia (SECT), responsável pela obra. A reestruturação do ponto turístico, licitada em 2005, foi inicialmente orçada em R$ 7,1 milhões. Um mês após o começo das obras, no entanto, a empresa teria detectado problemas estruturais além da falta, nos arquivos do GDF, do cálculo estrutural do prédio. Com isso, um novo estudo com base na estrutura pronta foi desenvolvido para apontar onde e como mexer no prédio.

A reforma deveria ser concluída em março último. “Esse ano, tivemos novamente um período mais lento na execução, com a crise política e a troca de governo. Mas agora já está tudo retomado”, conta Brito, garantindo o cumprimento do novo calendário.

Biblioteca
Além da sala de projeção, dedicada à ciência e à tecnologia, estão previstos espaços para outras áreas de conhecimento. Locais do prédio, que na versão original do planetário eram dedicados a aquários(1), agora abrigarão uma biblioteca digital. Em um telão, o visitante poderá conhecer como pesquisar conteúdos disponíveis nos maiores museus do mundo. Também foram reservados lugares especiais para a realização de oficinas e a instalação de terminais com computadores, cujo acesso será aberto ao público.

Em funcionamento, o planetário deve receber a visita de cerca de 150 mil pessoas por ano. Dessas, aproximadamente 120 mil são estudantes. Quem visitou o planetário no tempo em que ele esteve em funcionamento, aguarda ansioso pelo retorno da atração turística. É o caso da diarista Patrícia Soares, 40 anos, que observa o andamento das obras todos os dias, quando passa pelo Eixo Monumental, a caminho do trabalho. “Visitar o planetário é uma das coisas que eu mais gostava durante a minha adolescência. Agora será a oportunidade de desfrutar desse momento com os meus filhos.”

1 - 13 anos fechado
Com 35 anos, o Planetário de Brasília é marcado por problemas que resultaram no seu fechamento em 1997. Com a ideia de unir o céu e o mar, o arquiteto Sérgio Bernardes projetou 16 aquários para ocupar o pavimento superior. Eles, no entanto, nunca saíram do papel e foram um dos fatores responsáveis pelas infiltrações que destruíram parte da estrutura do prédio.

Memória

1974
O planetário é inaugurado em 15 de março pelo governador Hélio Prates, mas em 30 dias o lugar precisa ser fechado por estar inacabado.

1975
A reabertura do planetário ocorre em agosto, mas os problemas estruturais continuam. O prédio segue aberto por um breve período, até ser fechado novamente em 1979.

1980
Após um ano sem funcionar, o planetário volta a receber o público em outubro. Passa cinco anos aberto e é fechado novamente devido a problemas técnicos.

1997
Problemas sérios de estrutura como infiltração, mofo, sujeira e quebra do projetor assolam o planetário. Reformas são realizadas, mas insuficientes para a reabertura.

2004
Convênio firmado entre o Ministério da Ciência e Tecnologia e o GDF define recursos para o setor que beneficiam o planetário. As obras de recuperação são orçadas em R$ 2 milhões.

2005
É feita uma nova avaliação das estruturas do planetário que descarta os aquários previstos no projeto original. A reforma que deveria ser concluída no primeiro semestre de 2006 não sai do papel.

2006
Em 12 de maio, o governo local anuncia que o Ministério da Ciência e Tecnologia vai liberar R$ 344 mil para a reforma do planetário. Obras tiveram início em agosto.

2008
Em 17 de julho, a Secretaria de Obras anuncia o início da reforma, prevista para terminar em 10 meses. O custo sobe para R$ 7,2 milhões.

2010
Obra prevista para ser entregue no mês de novembro. Foram gastos cerca de R$ 6,6 milhões com equipamentos e outros R$ 9,2 milhões na estrutura.

Brasília ganha um guia completo com 50 obras de Niemeyer


Algumas são conhecidas no mundo inteiro, como a Catedral, e outras nem tanto, como a Casa da Manchete. O Lançamento da obra será hoje


Leilane Menezes - Correio Braziliense
Publicação: 29/06/2010 08:24 Atualização: 29/06/2010 08:36

Uma das obras mais famosas de Niemeyer, a Catedral - ()
Uma das obras mais famosas de Niemeyer, a Catedral
Brasília é um banquete para os olhos de qualquer visitante ou morador da cidade que saiba valorizar o privilégio de ter uma paisagem inconfundível como cenário do cotidiano. São tantas as atrações que o olhar se perde, se inebria com o movimento das curvas dos monumentos e com a ousadia do concreto pousado no ar. A arquitetura de Oscar Niemeyer imprime identidade à capital. Para entendê-la melhor e trafegar entre as maravilhas sem perder nenhuma experiência, os interessados terão a ajuda de um guia elaborado especialmente para contar a trajetória do arquiteto mais importante da história de Brasília.

Hoje, será lançado o Guia de obras de Oscar Niemeyer: Brasília 50
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anos, no Salão Nobre da Câmara dos Deputados, às 19h. Na ocasião, 200 exemplares serão distribuídos de graça. Não é preciso ter convite para participar. O guia pode ser lido gratuitamente na internet, por meio do link
http://bd.camara.gov.br/bd/handle/bdcamara/3565. Quem quiser tê-lo em mãos terá de desembolsar R$ 22,64, somente na Livraria da Câmara.

A publicação é inédita e mostra obras famosas, como a Catedral — a preferida do arquiteto — e o Congresso Nacional. Mas se destaca por não esquecer de apresentar locais menos explorados, como o edifício construído para ser a sede da Telebras e a Casa da Manchete, antigo local de funcionamento da revista de mesmo nome, escondido entre prédios comuns na Quadra 1 do Setor de Indústrias Gráficas (SIG). Cada uma das 50 obras selecionadas vem acompanhada de uma breve explicação sobre sua história, além dos horários de funcionamento. O texto é traduzido para inglês e espanhol.

O guia é um projeto do Instituto dos Arquitetos do Brasil, seção Brasília (IAB-DF), em parceria com dois professores da Universidade de Brasília (UnB) — os arquitetos Sylvia Ficher e Andrey Schlee — e a Câmara dos Deputados. O roteiro é dividido em cinco partes: Esplanada dos Ministérios, Eixo Monumental, Roteiro Histórico, UnB e Niemeyer completo. Entre uma página e outra, encontram-se as preciosidades ignoradas por guias comuns de turismo em Brasília e que se tornam as menos visitadas.

Juntos, os textos de Andrey e Sylvia e as fotografias de Joana França constroem um panorama sobre a trajetória de um gênio da arquitetura moderna. “A intenção é entender o desenvolvimento de Niemeyer nessas cinco décadas. O trabalho dele em Brasília, porém, tem mais de 50 anos. Tudo começou com o Catetinho, em 1956”, explicou Sylvia, uma estudiosa da arquitetura moderna e, consequentemente, de Oscar Niemeyer.

Estilo próprio
NÃO PERCA
Lançamento do Guia das obras de Oscar Niemeyer: Brasília 50 anos
Data: Hoje
Local: Salão Nobre da Câmara dos Deputados
Horário: 19h
Onde comprar: Livraria da Câmara - (Camara dos Deputados/Reprodução
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NÃO PERCA Lançamento do Guia das obras de Oscar Niemeyer: Brasília 50 anos Data: Hoje Local: Salão Nobre da Câmara dos Deputados Horário: 19h Onde comprar: Livraria da Câmara

“Meio século atrás, o trabalho dele era muito diferente. Tínhamos um profissional que era experiente, não era jovem, mas ainda não tinha toda a fama e o prestígio que passou a ter na sequência. As obras daquele tempo eram mais modestas que as atuais. Hoje, Niemeyer tem um estilo próprio. Tudo que ele faz leva uma assinatura, é reconhecível automaticamente como de autoria dele”, afirmou a arquiteta.

O Palácio da Alvorada (1956), o Brasília Palace Hotel (1956) e a Igreja de Nossa Senhora de Fátima (1957) representam um período de transição da arquitetura de Niemeyer. Segundo os organizadores do livro, a diversidade de materiais — própria das obras anteriores — “mistura-se à nascente síntese formal dos palácios da Praça dos Três Poderes (1958) e da Esplanada dos Ministérios — também presentes no guia”.

Niemeyer volta a deixar marcas de seu poder de se reinventar depois da inauguração da capital. “A contínua necessidade de construção de edifícios em um curto período de tempo levou Niemeyer à pesquisa com pré-fabricação e pré-moldados de concreto, presentes sobretudo nas obras do câmpus da UnB (1963), em parceria com o arquiteto João Filgueiras Lima”. A peculiaridade de cada obra é levada ao limite nos anos seguintes. O guia dá destaque aos “vãos generosos, como os da Estação Rodoferroviária, e na estrita expressão modular da Aliança Francesa ou do Touring Clube (1962)”.

O guia mostra que o Niemeyer geralmente associado a realizações monumentais também pode estar onde o grande público menos imagina, como em casas geminadas ou em capelas anexas a edifícios públicos. “É na capacidade de síntese que se encontra o elo entre todos os trabalhos. Essa característica pode ser mais claramente apreciada nas diversas torres de escritórios situadas nas áreas gregárias de Brasília, bem como na alvura das obras monumentais mais recentes”, explica o guia.

"A intenção é entender o desenvolvimento de Niemeyer nessas cinco decadas"

Sylvia Ficher, uma das autoras do guia



Saiba mais:

Casa da Manchete (1974 –1978)
Setor de Indústrias Gráficas, Quadra 1:

“Trata-se de um conjunto de três edificações: dois blocos para oficinas e depósito de material gráfico e um bloco principal, a sede da revista, Casa da Manchete. O prédio é organizado em três alas em torno de um pátio central, formando uma planta em “U”. Sua estrutura é composta por pórticos de concreto armado aparente com mísulas arredondadas, características da arquitetura de Niemeyer à época.”

Fundação Educacional do Distrito Federal (1963)
Setor de Grandes Áreas Norte 607, Módulo D, UnB

“Edifício projetado para abrigar o Instituto de Teologia da Universidade de Brasília, que tinha orientação ecumênica e fazia parte da estrutura universitária. Trata-se de uma construção oblonga de três pavimentos, caracterizada pela repetição ritmada de um mesmo elemento vertical (30 vezes em cada fachada principal) e pela estrutura independente abobadada que cobre parte do volume do prédio. O projeto inicial previa a construção de um edifício de moradia para a comunidade do Instituto de Teologia Católica e respondia a um programa convencional, composto de dormitórios, refeitórios, bibliotecas e oratórios para noviços, estudantes e padres. Com a crise política de 1964, o prédio foi vendido para a Fundação Educacional do DF.”

Residências geminadas (1957 – 1958)
Quadras 707, 708, 711 e 712 Sul

“A escolha do plano urbanístico foi feita em março de 1957. Logo Niemeyer passou a trabalhar em projetos de urgência, como a definição do sítio ideal para a construção das casas dos funcionários públicos que seriam transferidos para a capital ou o detalhamento de alguns dos setores da cidade. Como as superquadras foram planejadas com blocos residenciais, o sítio escolhido para as habitações populares foi aquele onde Lucio Costa imaginara o espaço para ‘floricultura, horta e pomar’. Assim, o próprio Niemeyer acabou projetando as quinhentas unidades residenciais das quadras Sul 707, 708, 711 e 712 para a Fundação da
Casa Popular.”


Projeto antigo
O livro seria lançado em comemoração ao centenário de Oscar Niemeyer, mas problemas burocráticos atrasaram a publicação. Em 2006, o então presidente do IAB-DF, Luiz Otávio Alves Rodrigues, convidou Sylvia Ficher e Andrey Schlee para trabalharem no projeto. Desde então, os dois arquitetos se dedicaram a dissecar cada vertente dos 50 locais de arquitetura mais marcante. “Alguma coisa sempre fica de fora. Mas tentamos incluir os pontos mais significativos”, explicou Sylvia.

A gestão de Luiz Otávio terminou, Igor Soares Campos assumiu a presidência e não desistiu do projeto. Somente em 2010, com o clima de festa pelo cinquentenário de Brasília, o guia pôde chegar ao público, com o apoio da editora da Câmara dos Deputados. O Correio tentou contato com Oscar Niemeyer para saber o que ele achou do livro, mas o arquiteto teve um dia ocupado ontem. “Acho muito válido esse projeto. Ele (Niemeyer) não foi consultado, nunca tinha pensado nisso e não sabia do lançamento. Mas, com certeza, aprova a ideia”, disse a mulher, Vera Lúcia Niemeyer.

A fascinação pelo legado do arquiteto persiste. “Há um interesse muito forte por tudo que diz respeito a Oscar Niemeyer. Ele representa um tipo de atuação profissional fascinante, por exemplo, para o estudante de arquitetura. Existe um grande interesse pela obra e pela pessoa dele, que exerce um fascínio por ser uma arquitetura de autor que nem todo profissional tem condições de desenvolver”, concluiu Sylvia. (LM)

Em comemoração aos 50 anos, Brasília ganha nova maquete


Ela foi construída com base em recursos digitais e percorrerá a Europa. Sem patrocínio brasileiro, a obra foi bancada pelo Ministério da Habitação da Espanha


Conceição Freitas - Correio Braziliense
Publicação: 29/06/2010 07:59

Na nova maquete, o Plano Piloto foi reduzido 1.350 vezes, o que não impede o visitante de ter uma visão tridimensional das obras de Oscar Niemeyer e dos traçados de Lucio Costa - (Adauto Cruz/CB/D.A Press
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Na nova maquete, o Plano Piloto foi reduzido 1.350 vezes, o que não impede o visitante de ter uma visão tridimensional das obras de Oscar Niemeyer e dos traçados de Lucio Costa
Antes de esticar suas asas e seus eixos em Madri, Lisboa, Munique e Milão, uma extensa maquete de Brasília, feita com base em fotos de satélite e recortada a laser, está à espera dos brasilienses no Centro de Convenções Ulysses Guimarães, a partir de hoje à noite. A cidade inventada foi reproduzida em escala 1x1.350, ou seja, o tamanho real do Plano Piloto foi reduzido 1.350 vezes. É um boneco gigante, tridimensional, que vai da Torre Digital (em construção) ao Aeroporto Juscelino Kubitschek, no sentido norte/sul, e da Barragem do Paranoá à Rodoviária, no sentido leste/oeste.

Quem fez a nova maquete da cidade tombada é o mesmo maquetista que construiu aquela que está exposta desde 1988 no Espaço Lucio Costa, na Praça dos Três Poderes. O arquiteto carioca Antonio José Pereira de Oliveira voltou à cidade, mais de 20 anos depois, para se atualizar com os novos contornos do urbanismo e da arquitetura da capital. Foi inevitável a comparação com os tempos do então governador José Aparecido de Oliveira que encomendou a maquete para a comemoração da inscrição de Brasília na condição de patrimônio da humanidade.

As diferenças são tantas na cidade quanto nas maquetes. Em 1988, não havia a Ponte JK, que muito impressiou o maquetista. Também as margens do Lago Paranoá não estavam tão acintosamente ocupadas. “É uma pena ver aqueles apart-hotéis e aqueles condomínios, tudo com telha colonial. Não tem nada a ver com Brasília, foi uma liberação perigosa na beira do lago”, lamenta Oliveira. O olho vigilante para o Paranoá tem razão de ser: a maquete dos anos 1980 contemplava apenas uma pequena área do lago. A nova traz o leito inteiro das águas que recortam as asas de uma ponta a outra.

Três dimensões
Silvestre Gorgulho e o arquiteto José Pereira de Oliveira conversam sobre a elaboração da miniatura da cidade - ()
Silvestre Gorgulho e o arquiteto José Pereira de Oliveira conversam sobre a elaboração da miniatura da cidade

Se a primeira maquete, toda artesanal, feita a partir da sobreposição de plantas e fotos aéreas, tem valor histórico e afetivo, a segunda representa Brasília a partir dos recursos da era digital. “Usamos os recursos do Google Earth. Os prédios mais importantes aparecem em três dimensões. O desenho sai direto do Google e passa para a máquina a laser”, explica o maquetista. As obras modernistas, portanto, serão apreciadas em perímetro, volume e perspectiva, muito mais perto da realidade do que a anterior.

Como será portátil, para a peregrinação pela Europa e por outras geografias ainda indefinidas, a maquete se desdobra em 18 módulos, cada um de 1,60 metro por 1 metro. E se sustenta nas caixas que a contém, para facilitar o trabalhoso processo de montagem, desmontagem e transporte de Brasília mundo afora. Recoberta com uma película plástica, a cidade em miniatura ficará facilmente livre da poeira, ao contrário do que ocorre com a da Praça dos Três Poderes. “A grande dificuldade da maquete atual é que ela precisa de manutenção de seis em seis meses, mas parece que nunca tem verbas para isso”, relata Antônio José Pereira de Oliveira.

A maquete é a estrela principal de uma grande exposição que percorrerá quatro cidades europeias a partir de setembro próximo. Sob curadoria da empresária cultural Danielle Rocha Athayde, a mostra é o resultado de uma dissertação de mestrado no Instituto de Investigação José Ortega Y Gasset, de Madri. Por falta de patrocínio brasileiro e brasiliense, a cidade só verá a maquete. A exposição completa terá fotos aéreas, belíssimas, de João Facó, fotos inéditas de monumentos históricos feitas pelo paulistano Fábio Colombini, especializado em fotos de natureza para catálogos de grandes empresas. “Escolhi Colombini porque queria um olhar de natureza para uma cidade de concreto.”

Também haverá fotos do francês Marcel Gautherot e de Mário Fontenele, o mais importante fotógrafo da construção de Brasília, fotomontagens de Athos Bulcão, mobiliário de Sérgio Rodrigues dos anos 50/60 e obras de Marianne Peretti, vitrinista da Catedral, do Memorial JK e do Panteão da Pátria. A exposição que será vista primeiramente em Madri terá uma livraria com mais de 50 livros e catálogos sobre Brasília, acessíveis à leitura no local.

Patrocínio
Danielle Athayde, curadora da mostra, teve o apoio do governo espanhol - ()
Danielle Athayde, curadora da mostra, teve o apoio do governo espanhol

A exposição só se tornou possível, incluída a fabricação da maquete, por conta do interesse do Ministério da Habitação da Espanha, responsável pela maior parte do patrocínio. A Brasília 50 anos fará parte do calendário espanhol das comemorações do Bicentenário da Independência das Repúblicas Latinoamericanas. Embora tenha sido aprovada pela Lei Rouanet, a curadora da exposição, Danielle Rocha Athayde, informa que não conseguiu apoio de patrocinadores brasileiros. E atribui o desinteresse aos escândalos de corrupção em Brasília. “Pedi tudo, tive que correr atrás de outros apoios.”

Paulista, Danielle mora em Brasília desde os 10 anos de idade. Aprovada num programa de bolsas espanhol no curso de gestão cultural, patrimônio, turismo e natureza, apresentou a exposição como trabalho final do mestrado e, segundo ela, foi aprovada como “o quarto melhor projeto já apresentado ao curso”. Com esse selo de qualidade, procurou o governo espanhol e se animou em montar a exposição tanto na Europa quanto no Brasil. “Mesmo tendo feito um corte muito alto no orçamento público, o governo espanhol manteve o apoio à exposição”, conta Danielle. Do ponto de vista dos negócios de turismo e cultural, esse é um novo investimento: “Brasília está em décimo sétimo lugar na lista de capitais visitadas pelos espanhóis.” A exposição pretende tirar a capital brasileira do fim da fila.

Mostra
A nova maquete de Brasília poderá ser vista pelos brasilienses a partir de hoje, quando for aberta a 22ª Feira da Indústria, do Comércio, da Agropecuária, de Serviços e do Turismo de Brasília (Feicom), a partir das 14h, no Centro de Convenções Ulysses Guimarães.

quarta-feira, 9 de junho de 2010

Reforma na Esplanada terá parceria público-privada


Resolução do governo federal determina que as obras nos prédios dos ministérios, construídos há mais de meio século, sejam consideradas prioridade. Revitalização deve ser realizada por meio de parceria público-privada e prevê edifícios mais econômicos

Helena Mader
Publicação: 09/06/2010 07:00 Atualização: 09/06/2010 08:00 - Correio Braziliense
Construídos há mais de 50 anos, os prédios da Esplanada dos Ministérios têm infraestrutura e tecnologia defasadas. A rede elétrica com gambiarras e os sistemas de iluminação e refrigeração fazem com que o consumo energético seja alto — o que vai na contramão da preservação do meio ambiente. Mas como a região central de Brasília é tombada, as intervenções não podem alterar a fachada dos edifícios. Com isso, a reforma dos ministérios para transformá-los em prédios verdes é um desafio para arquitetos e engenheiros.

Projeto-piloto do Esplanada Sustentável deve começar pelo Bloco K, onde funciona o Ministério do Planejamento - (Valério Ayres/CB/D.A Press - 8/7/09
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Projeto-piloto do Esplanada Sustentável deve começar pelo Bloco K, onde funciona o Ministério do Planejamento
Na semana passada, o projeto Esplanada Sustentável começou a avançar. O Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão publicou no Diário Oficial da União do último dia 28 uma resolução estabelecendo o início das reformas como uma prioridade entre as obras feitas por meio de parcerias público-privadas (PPPs). O primeiro edifício a receber investimentos será o Bloco K da Esplanada, que abriga a pasta do Planejamento. Após a conclusão do projeto-piloto, a iniciativa será estendida aos prédios dos outros ministérios. A resolução determina que o Comitê Gestor de Parcerias Público-Privadas do governo federal abra prazo para a apresentação de projetos pela iniciativa privada.

A ideia de reformar os edifícios da Esplanada por meio dessas parcerias foi apresentada ao governo pela Câmara Brasileira da Indústria da Construção (Cbic) há cerca de dois anos. De lá para cá, o setor privado e o governo avançaram nas negociações, mas ainda não há um cronograma para a revitalização de todas as edificações da região.

Também não há regras definidas de como será fechada essa PPP. A ideia inicial dos empresários era reformar os prédios, deixá-los ambientalmente sustentáveis e, em troca, receber terrenos em Brasília, por exemplo. Outra forma de fechar o contrato seria a empresa concluir a obra e, depois disso, ficar responsável pelos contratos de manutenção e conservação dos prédios. Assim, para que o negócio seja rentável e para otimizar os lucros, os empresários teriam que economizar mais água e energia. Em ambos os casos, o governo federal terá que abrir processo de licitação para a escolha das empresas que ficarão responsáveis pela revitalização desses edifícios.

O presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção, Paulo Safady Simão, conta que muitos empresários já estão se mobilizando para apresentar propostas. “Essa iniciativa vai ser importante para o país, já que deixará os prédios públicos de acordo com os conceitos de sustentabilidade. Isso vai trazer maior eficiência energética e mais conforto para os usuários, que são os servidores”, explica Paulo Simão.

Ele destaca também que a defasagem na infraestrutura dos edifícios públicos representa um risco para quem circula por esses locais. “Alguns desses prédios foram reformados aos poucos e, com isso, foram feitos remendos na estrutura e vários deles estão cheios de gambiarras”, comenta. “Além da questão ambiental, o problema da falta de segurança é mais um argumento para que essas obras sejam feitas o mais rápido possível. O setor da construção quer dar essa contribuição para a recuperação dos prédios antigos”, finaliza. Paulo Safady Simão pretende se encontrar com o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, até a semana que vem, para acertar detalhes da PPP e do cronograma para a implantação do projeto-piloto.

Redução
Projeto-piloto do Esplanada Sustentável deve começar pelo Bloco K, onde funciona o Ministério do Planejamento

O Programa Nacional de Conservação de Energia Elétrica (Procel), ligado à Eletrobras, prevê medidas de redução do consumo em prédios públicos — o que deverá ser aliado à modernização dos edifícios da Esplanada. De acordo com um levantamento do Procel, 48% da energia gasta nas construções públicas é consumida com ar-condicionado; 24% com iluminação; 15% com equipamento de escritório, como computadores e impressoras; e 13% com elevadores e bombas de água.

O programa também alerta para a importância da mobilização dos servidores para conseguir melhorar os resultados. “Um programa de conservação de energia só terá resultados positivos caso haja conscientização e motivação de todos os empregados. Conservação não implica em racionamento nem em perda de qualidade de vida e conforto dos servidores. Não compromete a produtividade e o desempenho”, diz a cartilha, produzida e distribuída pelo Procel.

"Alguns desses prédios foram reformados aos poucos. Vários deles estão cheios de gambiarras"
Paulo Safady Simão, presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção



Fachadas intocáveis
A professora do Departamento de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de Brasília Cláudia Amorim, que também atua no Laboratório de Controle Ambiental da UnB, participou das discussões sobre a reforma da Esplanada. Ela explica que uma das dificuldades é a proibição de alterar as fachadas. “Como não podemos buscar soluções arquitetônicas, é preciso pensar em outras possibilidades. Muitas vezes, pequenas intervenções têm um grande impacto para aumentar a sustentabilidade”, explica a especialista.

A disposição dos prédios ao longo da Esplanada não facilita a redução do consumo de energia. Eles recebem a incidência direta da luz do sol durante todo o dia. O problema é maior na fachada oeste (virada para a Rodoviária), que é voltada para o poente e, portanto, tem ambientes mais quentes. Uma solução possível é aplicar uma película protetora sobre o vidro, para reduzir a incidência solar. Assim, a necessidade do ar-condicionado é reduzida. Os brises (1) instalados nos prédios da Esplanada são verticais. Para que protejam da luz solar, eles devem estar completamente fechados — o que é raro de observar. No caso da redução do consumo de água, as soluções são simples. As medidas mais básicas são mudar os sistemas de descarga e as torneiras, além de controlar os vazamentos e desperdícios.

A professora Cláudia Amorim elogia a iniciativa de implantar o projeto-piloto, mas destaca que as soluções aplicadas no Bloco K da Esplanada não poderão ser usadas em todos os prédios públicos. (HM)


1 - Controle da radiação
Os brises são elementos arquitetônicos localizados na fachada externa do edifício e que têm como função principal o controle da incidência de radiação solar na edificação. São formados por uma ou mais lâminas, fixas ou móveis, dispostas horizontal ou verticalmente, mas que precisam de minuciosos cálculos com cartas solares, do local onde serão implantados, para que o resultado seja eficiente.