quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Rodoviária projeta aumento superior a 300%

21/12/2010 - Agência Brasília

Além da frota normal, já estão garantidos 132 veículos extras. Expectativa é de que, entre os dias 23 e 31, o fluxo de embarques e desembarques no terminal salte de 5 mil para mais de 20 mil passageiros por dia. Destinos mais procurados são Goiânia (GO), Unaí (MG) e Anápolis (GO)

A poucos dias do Natal, as companhias que operacionalizam o serviço de passagens não param de abrir e, logo em seguida, encerrar a venda de bilhetes para ônibus e horários extras. Na Rodoviária Interestadual de Brasília, além da frota normal, já estão garantidos 132 veículos extras. A expectativa é de que, durante o período de 23 a 31 de dezembro, o fluxo de embarques e desembarques no terminal aumente de 5 mil para mais de 20 mil passageiros por dia – um aumento de mais de 300%. Os destinos mais procurados são Goiânia (GO), Unaí (MG) e Anápolis (GO).

De acordo com a administração da Rodoviária Interestadual, a previsão de movimento para o dia 23 é de 14,8 mil passageiros. Já para o dia 30, são esperadas 14, 7 mil pessoas. Diferentemente da antiga Rodoferroviária, os acompanhantes dos passageiros não têm mais acesso ao local de embarque. Quem seguir viagem para outro estado deve retirar nos guichês das empresas um ticket que permite a entrada no local onde os ônibus estão estacionados. Amigos e parentes podem assistir à partida por trás de uma barreira de vidros transparentes. 

Para facilitar a vida de passageiros e acompanhantes, painéis eletrônicos informam a previsão de chegada e partidas das viagens, dando mais tranquilidade para quem tem de esperar. Câmeras inteligentes garantem a segurança dos usuários, e os estacionamentos estão sendo bem vigiados, com um reforço na segurança.

Taxa de embarque

Desde o último dia 13, quem viaja de ônibus de Brasília para outros estados tem de pagar uma taxa de embarque. A medida foi publicada no Diário Oficial do Distrito Federal, por meio do Decreto 32.574, assinado pelo governador Rogério Rosso. 

A partir de agora, é cobrada uma tarifa de R$ 2 para linhas com distância de até 250 quilômetros do limite da unidade da federação. Para distâncias superiores, a taxa é de R$ 3,23. As linhas que têm origem ou destino na região do Entorno, consideradas de transporte rodoviário interestadual semiurbano, por sua vez, não estão sujeitas às tarifas de embarque.

As taxas de embarque são cobradas na maioria dos terminais rodoviários do País. Os valores variam de acordo com a cidade e a distância da viagem – auanto mais longe o destino, mais alta é a taxa. O dinheiro arrecadado pelos passageiros garante a manutenção dos terminais.

Terminal moderno. E verde

O Terminal Rodoviário de Brasília é uma das mais modernas estações de embarque e desembarque interestadual do Brasil. Situada às margens da Via Epia, tem 20 mil metros quadrados de área construída, com base nos conceitos da arquitetura sustentável. Para garantir mais segurança e conforto aos passageiros, o consórcio responsável pela obra investiu num sistema operacional semelhante ao dos aeroportos brasileiros e não economizou em tecnologia.

O prédio foi projetado para favorecer a iluminação natural, de modo que, ao longo do dia, quase não é necessário acender os interruptores de luz. A ideia rendeu ao projeto o título eficiência energética, concedido pelo Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (Inmetro). No Brasil, a nova rodoviária é um dos 11 edifícios que possuem essa classificação. 

O telhado, formado pela estrutura metálica de 10 mil metros quadrados, capta toda a água da chuva, que é armazenada e utilizada para irrigar os jardins que enfeitam o local. Além de amplo espaço e da boa circulação de ar, dois painéis gigantes com imagens de Brasília ornamentam o lugar, dando uma noção da beleza da cidade, principalmente àqueles que desembarcam na capital federal pela primeira vez. 

A obra custou cerca de R$ 55 milhões ao consórcio Novo Terminal, formado pelas empresas Socicam, que administra terminais rodoviários em outros estados brasileiros, a JCGontijo Engenharia S/A e a Construtora Artec Ltda. Um termo de concessão de 30 anos foi firmado entre governo e empresas. Ao longo desse período, o GDF não tem ônus com manutenção e funcionamento do local, e ainda recebe uma parte dos lucros arrecadados pela receita do terminal. 

Boa viagem!
Dicas para quem pretende deixar a cidade de ônibus:
• Adquira a passagem de forma antecipada
• Chegue ao terminal pelo menos uma hora antes do embarque
• Identifique as bagagens
• Não se descuide das crianças
• Tenha os documentos de todos os passageiros (inclusive das crianças)
• Se necessário, procure um funcionário ou agente de segurança devidamente identificado, ou ainda, dirija-se ao balcão de informações para o esclarecimento de eventuais dúvidas

Serviço
Tudo o que você precisa saber sobre o novo terminal rodoviário de Brasília:

Passagens
Trinta e nove empresas de ônibus interestadual operam no local. As companhias contam com bilheterias individuais e personalizadas.

Comércio
Cafés, lanchonetes, restaurantes, locadora de automóveis, lojas de presente, joalheria, sorveteria, loja de moda íntima, livraria, revistaria e lotérica.

Serviços
Sanitários e fraldário gratuitos, serviço de banho com sabonete e toalha inclusos (por R$ 6), bicicletário, carrinhos gratuitos para transporte de bagagens, guarda-volumes (R$ 3 por oito horas).

Bancos
Caixas eletrônicos do Banco do Brasil e da Caixa Econômica Federal funcionam 24 horas. Outro terminal 24 horas, que atende a usuários de vários bancos também é oferecido aos usuários da nova rodoviária. 

Como chegar
Ônibus - Para melhorar o acesso, o DFTrans criou duas novas linhas de ônibus. A linha 108.8 percorre o trajeto Rodoviária Interestadual, Estação Shopping do Metrô, Fórum, Terminal da Asa Sul e Rodoviária do Plano Piloto, passando pela W3. Por dia, são feitas 59 viagens. Já a linha 108.9 opera como um transporte circular, entre a Rodoferroviária e a nova rodoviária, passando pela Candangolândia. Neste trecho, são feitas 10 viagens por dia.

Metrô - Localizada há poucos metros da nova rodoviária, a estação Park Shopping atende das 6h às 23h30, de segunda a sexta-feira, e das 7h às 19h, aos sábados, domingos e feriados. 

Automóvel - Quem utiliza carros de passeio deve acessar a via EPIA, em frente ao Park Shopping. No início de agosto, a via recebeu mais sinalização e modificações para melhorar o acesso dos motoristas à Rodoviária Interestadual. Foram instaladas mais nove placas de sinalização nas proximidades do local, totalizando 33 na região. O retorno próximo ao Park Shopping, no sentido Plano Piloto/Núcleo Bandeirante, foi fechado para não confundir os motoristas.
Táxi - A nova Rodoviária Interestadual conta com um ponto de táxi com 30 carros disponíveis.

Estacionamento
A nova rodoviária conta com dois estacionamentos. O privado tem 160 vagas e o público conta com 65. Há ainda sete vagas para embarque e desembarque, logo na entrada do terminal.

Acessibilidade
O terminal é totalmente acessível aos portadores de necessidades especiais. No local, não há degraus, e os corrimões são compostos de placas em braile, no acesso do limite da rua até a porta do terminal. No novo espaço há também telefones públicos para pessoas com baixa estatura e com deficiência auditiva.

Segurança
Toda a área dispõe de circuito interno de TV, postos de atendimento da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), da Polícia Militar e do Juizado da Infância e Assistência Social.


Rafaella Osler - Agência Brasília


Foto
Tecnologia e ecologia

Terminal de Brasília é uma das mais modernas estações de embarque e desembarque interestadual do BrasilFoto: Georg

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Censo da Codeplan revela crescimento do SIA

20/12/2010 - DFTV 1ª Edição

Levantamento mostra que 44 mil pessoas trabalham diariamente no SIA. A maioria usa o transporte público para ir ao trabalho e quem vai de carro não tem onde estacionar.

O SIA cresceu tanto que, desde 2005, é uma cidade com administração independente do Guará. No local encontra-se todo tipo de serviço e comércio. 

São quase 2,6 mil empresas, a maioria do setor varejista (61%). Em segundo lugar está o ramo de transformação: móveis, materiais de construção e gráficas (39%). Logo depois, prestação de serviços (23%). 

Ao todo, 44 mil pessoas trabalham no SIA, a maioria é homem: 66%. E o transporte público é o meio usado pela grande maioria para chegar ao lugar. 

O primeiro censo da região deixa claro que o SIA não tem mais pra onde crescer. “Ele não tem mais espaço para crescer. Só se for vertical, e essa opção é impossível, seria um caos”, afirma o presidente da Codeplan, Edilberto Braga. 

Originalmente, o SIA nasceu para receber grandes indústrias e se previa o tráfego de caminhões pesados no setor. O comércio foi ficando tão intenso que o espaço para manobra de carretas passou a ser usado por carros pequenos. 

Hoje, estacionamento também é problema sério. “Nunca tem vaga. É preciso dar muitas voltas para chegar ao local desejado”, diz a gerente Célia Teves. 

O transporte público é outra dificuldade. “Não têm ônibus direto. São poucos que fazem o percurso. A parada está sempre cheia e se perder o ônibus, demora a passar outro”, relata uma mulher que trabalha no SIA. 

O presidente da Associação das empresas do setor, Hélio Aveiro, também reclama da falta de policiamento e só vê uma solução. “Já existem projetos para a construção de um Batalhão da Polícia Militar entre os setores de Indústrias e o de Construtoras, o que deverá ajudar segurança”, fala. 

Muitas empresas estariam saindo do SIA por falta de espaço e policiamento. 

Renata Costa / Salvatore Casella

domingo, 19 de dezembro de 2010

Nova pintura para a faixa de pedestres é aprovada pela população do DF

18/12/2010 - Correio Braziliense - Luiz Calcagno

Primeira travessia com pintura diferenciada, para tornar-se mais visível, já está em funcionamento na via S2. Transeuntes acreditam que motoristas passaram a respeitá-los mais

O modelo inovador de faixa adotado na via S2 tem na calçada uma área pintada de vermelho: alerta ao motorista para presença de pedestres (Fotos: Monique Renne/CB/D.A Press)
O modelo inovador de faixa adotado na via S2 tem na calçada uma área pintada de vermelho: alerta ao motorista para presença de pedestres

Com maior visibilidade, pintura diferenciada e sinalização ostensiva, a primeira faixa de pedestre feita de acordo com o novo modelo proposto pelo Detran-DF causa surpresa entre os brasilienses. A sinalização fica na via S2, na altura da Quadra 2 do Setor Hoteleiro Sul (SHS). Após três dias de funcionamento, atraiu a atenção não apenas dos que trabalham na região, mas também de quem veio de outros estados e está em Brasília de passagem. A novidade chega quase 15 anos após o lançamento da campanha Paz no Trânsito, que transformou a cidade na capital do respeito ao pedestre. Ontem, a reportagem do Correio ficou por cerca de duas horas no local para conferir a reação das pessoas.

Entre os pedestres que transitavam entre o SHS e o Setor Comercial Sul, apenas um, a poucos metros da nova faixa, não atravessou com segurança. E poucos motoristas não respeitaram a sinalização. O promotor de eventos Eduardo Santos, 22 anos, morador de Valparaíso, contou que passa pela faixa diversas vezes por semana, e espera bons resultados da novidade. “Gostei bastante do novo modelo. É mais visível, com isso os motoristas estão respeitando mais”, disse. “Mesmo assim, alguns motoristas continuam desrespeitando”, acrescentou.

O cozinheiro Lucas Braga dos Santos, 20 anos, morador do Recanto das Emas, trabalha em um hotel no SHS. Ele atravessa a faixa na via S2 diariamente. Para Lucas, a maior vantagem da mudança na sinalização é o fato de as pinturas terem tornado a faixa visível para motoristas a uma distância maior. “Achei que a alteração ficou muito boa. Melhorou para os pedestres, mas, principalmente, para os motoristas. Deviam fazer isso em todo o DF. A faixa branca no chão, mesmo que fique um pouco mais elevada, não é suficiente”, opinou.

Para os colegas comissários de vôo Danilo Soller, 34 anos, e Nayara Lebid, 23, que são de Curitiba, o modelo de faixa deveria ser adotado em todo o país. “São poucos os lugares em que motoristas respeitam a faixa de pedestre. Em Curitiba, se você tentar atravessar, vai ser atropelado. É preciso educar a população”, afirmou. “Foi muito interessante ver a nova faixa. Ajuda o motorista a respeitar o pedestre e o pedestre a respeitar o motorista. Em Londrina (PR) e Palmas (TO), a população também tem essa cultura. Acho que respeitam a faixa até um pouco mais que aqui”, completou Nayara.

Menos acidentes
Na próxima terça-feira, o Departamento de Trânsito do Distrito Federal (Detran-DF) fará campanha educativa na faixa da via S2, com folderes instruindo motoristas e pedestres sobre a sinalização e as vantagens das novas faixas de pedestre. Outras quatro sinalizações diferenciadas serão instaladas no DF nas próximas semanas (veja quadro). Com o novo modelo, o Detran pretende reduzir o número de acidentes no DF. Cada faixa repaginada vai custar cerca de R$ 5 mil.

Toda a sinalização foi pensada para orientar motoristas e pedestres na hora da travessia. A faixa amarela em zigue-zague e a calçada da mesma cor têm, por exemplo, 16 metros de comprimento, com placas de proibido parar e estacionar. A intenção é que motoristas não realizem, sequer, desembarque no trecho. Já as faixas brancas, também em zigue-zague, causam a sensação de estreitamento de pista, obrigando condutores a reduzir a velocidade.

Os tachões foram colocados principalmente para inibir motoqueiros de passarem nos corredores entre os carros. No período da noite, para reforçar ainda mais a visibilidade, os dispositivos piscam e, na calçada, o ponto da travessia foi pintado de vermelho, para chamar a atenção para o pedestre mesmo que ele não dê o sinal de vida.

O chefe da fiscalização do Detran, Silvain Fonseca, conversou com a reportagem e contou que o projeto sofreu influência de estudos internacionais. “O zigue-zague, por exemplo, foi inspirado pela Inglaterra. Buscamos 100% de respeito às faixas. Mais de 70% hoje param. Futuramente queremos adequar todas as faixas ao padrão. Vamos testar, aprimorar e ampliar”, explicou.

Estatística
De janeiro a outubro deste ano, 364 pessoas morreram nas ruas da capital federal e, dessas, 124 foram atropeladas, o que equivale a quase 35% das vítimas. Agosto de 2010 foi o mês mais violento dos últimos seis anos, com 53 acidentes fatais e 55 mortes no trânsito. Além disso, cinco pessoas morreram atropeladas em faixas de pedestre em 2010.
Colaborou Helena Mader

ONDE SERÃO AS FAIXAS-PILOTO
Pronta:
» Via S2, entre o Hotel Bonaparte e o Setor Comercial Sul;

As próximas:
» Via N3, próximo ao hemocentro de Brasília;
» Via Epia, em frente à sede do Detran;
» 1ª Avenida do Sudoeste, em frente à CSLW 302;
» Pistão Norte de Taguatinga.

sábado, 18 de dezembro de 2010

Distrito Federal tem mais de 2,3 mil moradores de rua

18/12/2010 - DFTV 1ª Edição

Os principais motivos para morar na rua são o desemprego e problemas com a família. Hoje existem apenas 25 educadores de rua para abordar e oferecer ajuda a essas pessoas.

A Secretaria de Desenvolvimento Social calcula que há 2.365 moradores de rua no DF. Para chegar a esse número e ao perfil dos moradores foram feitas entrevistas durante a noite. 

A maioria dos moradores de rua é homem com mais de 18 anos; 25% sobrevivem com o que ganham para guardar e lavar carros. Mas há os que dependem exclusivamente das esmolas; 80% dos que moram na rua vieram de estados como Bahia, Minas Gerais e Pernambuco. Nem metade cursou até a quarta série. 

Os principais motivos para morar na rua são o desemprego e problemas com a família. Treze por cento dos adultos declararam que fazem uso continuo de algum tipo de droga e 10% também consomem álcool. 

Entre os que têm menos de 18 anos, a maioria é de meninos. Quase 40% tem entre 7 e 14 anos e estudaram pouco. Quase 10% dos jovens revelaram que estão na rua pela facilidade em usar drogas; 15% confessaram que fazem uso continuo de algum entorpecente. 

Hoje existem apenas 25 educadores de rua para abordar e oferecer ajuda a essas pessoas. A pesquisa vai ajudar o governo a reformular as políticas sociais.

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Esplanada dos Ministérios passará por 'reforma verde'

17/12/2010 - O Globo - Gustavo Paul

Obras, que não vão alterar arquitetura original, custarão R$ 160 milhões por prédio, pagos por empresas de construção civil

Será aberta em fevereiro a primeira licitação para o recondicionamento de todos os prédios da Esplanada dos Ministérios para torná-los ecologicamente sustentáveis. Ao custo médio de R$ 160 milhões cada, o projeto Esplanada Sustentável prevê a "retrofitagem" (variação do termo em inglês retrofít, que é reforma geral sem alterar a arquitetura original) dos prédios, que têm 50 anos, por empresas de construção.

Criado pela Câmara Brasileira da Indústria da Construção Civil (Cbic) com o apoio do governo federal, o projeto começará pela reforma do bloco K, onde está o Ministério do Planejamento, e a construção de seu anexo.

Ao todo, a ação prevê a recuperação dos 16 blocos de ministérios da Esplanada, para adaptá-los à filosofia sustentável, o que significa colocação de vidros que retêm até 80% dos raios solares, pintura com tinta autolimpante, troca de equipamentos obsoletos, como ar-condicionados antigos, melhoria nas luminárias e na fiação elétrica.

O projeto também inclui a construção dos últimos sete anexos dos ministérios, o que pode reduzir o custo de aluguel de imóveis pela administração federal.

O projeto amargou dois anos de discussões e burocracia até sair do papel. Idealizado no fim de 2008, foi concebido em 2009, mas por 12 meses foi submetido ao crivo de uma comissão interministerial para ser aprovado.

Cada prédio reformado no conceito retrofít custará R$ 60 milhões e mais R$ 100 milhões para manutenção por 15 anos. Os novos anexos sairão por R$ 140 milhões, em média. O custo será bancado pelas empresas de construção civil em troca da ces¬são de terrenos públicos no Distrito Federal, para construção de moradias populares, de classe média e de alto padrão.

A falta de terrenos é o principal entrave à construção de dois milhões de imóveis em quatro anos, previstos na segunda fase do programa Minha Casa, Minha Vida.

O setor de construção civil cresceu 11 % em 2010, o melhor resultado em 24 anos, e bateu vários recordes, como a criação de 340 mil postos de trabalho. Mas em 2011 o ritmo deve desacelerar, levando a uma expansão de 6%. O setor, admite a Cbic, não tem fôlego para manter esse ritmo.

O principal problema a ser resolvido, diz Paulo Simão, presidente da Cbic, é o saneamento. Segundo ele, mais da metade dos domicílios brasileiros não tem acesso à rede de esgoto, e a perda média de água tratada gira em torno de 40%.

Maioria dos moradores de rua do DF veio de outras regiões do país

17/12/2010 - Bom Dia DF

Conheça, com exclusividade, dados do primeiro Censo da população de rua do Distrito Federal. O levantamento revela que a maioria dorme no Plano Piloto. Parte deles sobrevive de esmola.

Durante cinco dias do mês de outubro do ano passado os moradores de rua do Distrito Federal ganharam atenção. Eles foram entrevistados, um a um, e puderam contar histórias e porque vivem largados no mundo. 

Cruzando os dados de 2.365 mil entrevistados descobriu que a maioria tem mais de 18 anos; 66% são homens; um quarto sobrevive com dinheiro que ganha para guardar ou lavar carros. Mas há os que dependem exclusivamente das esmolas. “Que ajuda que recebe aqui? chega é dando porrada e espancamento”, afirma um morador de rua. 

Uma voz isolada, mas que pode ser ouvida como um coro, já que quase 80% das pessoas em situação de risco social passam as noites na rua. Muitas espalhadas pela área central do Plano Piloto, Asa sul e Asa Norte; e pelo menos 20% em Taguatinga e 10% em Ceilândia. Poucos dormem em abrigos. 

Ailton de Oliveira de 23 anos, os três filhos e a mulher moram em uma barraca de lona, Ceilândia. “Porque não tinha como sobreviver e ganhar dinheiro. Nossa sobrevivência sempre foi de catar latinha, mas é uma venda que não dá para comprar nada”, conta. 

Por isso Ailton trocou o Espírito Santo por Brasília, assim como tantos outros. Cerca de 80% dos que moram na rua não nasceram no DF, eles vieram especialmente de estados como Bahia, Minas Gerais e Pernambuco. Nem metade cursou até a 4ª série (5º ano) do ensino fundamental. 

Os principais motivos para morar na rua são o desemprego e problemas com a família. 
É por isso que há três anos o aposentado dos correios Willian da Fonseca de 61 anos vive em Taguatinga Norte. Ele é formado em filosofia e ex-católico fervoroso, mas teve um desentendimento, conheceu o álcool e nunca mais voltou para a cidade natal, Pirapora em Minhas Gerais. “Falta vontade, porque o resto tem. Como família, dinheiro, mas a vontade é fraca”, afirma. 

Fraqueza que esta ligada a dependência do álcool. Mas Willian não esta sozinho nesta situação. Dos entrevistados, 13% dos adultos declararam que fazem uso continuo de algum tipo de droga e 10% também consomem álcool. 

Cerca de um terço das crianças e adolescentes que moram nas ruas do Distrito Federal já passaram por orfanatos ou abrigos. E é do lado de fora que muitas vezes acontece o primeiro contato com as drogas. Tanto que 7% revelaram que já estiveram em clinicas de recuperação de dependentes químicos. 

Entre os menores de 18 anos a maioria é de meninos. Quase 40% tem entre 7 e 14 anos. E apesar da situação de risco em que se encontram 55% disseram estar matriculados em escolas, mas 38% admitiram que não frequentam as aulas. Nem um quinto chegou a cursar a 3ª série do ensino fundamental e 7% são analfabetos. 

Um jovem de 14 anos que mora na Rodoviária do Plano Piloto está na 5ª série [6º ano], mas abandonou a escola em julho. Como a mãe esta presa, trocou a casa da tia no Recanto das Emas pela rua. “Às vezes ganho um pastel na pastelaria e também ganho uns negócio para comer”, afirma. 

Ao contrário dos adultos, a maioria das crianças e adolescentes é do DF. Eles nasceram em Taguatinga, Ceilândia e no Gama, mas quase a metade está no Plano Piloto. Mas há os que vivem em outras cidades também. 

Quase 10% dos jovens revelaram que estão na rua pela facilidade em usar drogas; 15% confessaram que fazem uso continuo de algum entorpecente e há os que querem vida nova. Um jovem de 17 anos pede ajuda. “Queira ir para um clínica de recuperação, pois sou viciado em crack já faz uns cinco anos”, diz. 

Enquanto a rua rouba a infância, o sono e ajuda parece cada dia mais distante. A inocência e o sonho de criança, ainda podem mudar o rumo de uma vida. “Eu quero ser bombeiro quando crescer”, afirma uma criança. 

Reportagem: Marcelo Cosme e Hélio Marinho 
Produção: Izabel Mendes e Roniara Castilho 
Edição de Texto: Marina Simpson e Roberta Vaz 
Edição de imagem: Ademir Valentim

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Niemeyer, o eterno arquiteto de Brasília, comemora o seu 103º aniversário

15/12/2010 - Correio Braziliense - Helena Mader - Juliana Boechat


bEm ação/bbrNa última segunda-feira, Niemeyer se encontrou com o governador eleito do Distrito Federal, Agnelo Queiroz (PT), para tratar da construção do Museu de Ciência e Tecnologia, em Brasília (Fábio Costa/JCom/D.A Press)
Em ação
Na última segunda-feira, Niemeyer se encontrou com o governador eleito do Distrito Federal, Agnelo Queiroz (PT), para tratar da construção do Museu de Ciência e Tecnologia, em Brasília.

O maior nome da arquitetura brasileira, reconhecido pela genialidade também no exterior, deixará a fama e o renome de lado nesta quarta-feira para comemorar o 103º aniversário ao lado da família e dos colaboradores mais próximos. Provavelmente, sequer lerá as dezenas de artigos, reportagens e análises que serão escritas sobre a vida e a obra. Oscar Niemeyer não gosta de textos sobre a própria arquitetura. Segundo ele, trata-se de um segredo para preservar a intuição. Três anos depois de completar um século de existência, o arquiteto que traçou as curvas “livres e sensuais” dos monumentos de Brasília ainda dedica parte dos seus dias ao trabalho. A mente inventiva trava uma batalha constante com o corpo frágil e centenário para criar projetos novos e cada vez mais revolucionários.

Apesar do amor e da dedicação à arquitetura, Oscar Niemeyer gosta mesmo da presença da família. Os 103 anos do modernista serão celebrados com a presença da mulher, Vera Lúcia, da única filha, Anna Maria, dos netos, bisnetos e trinetos. A esta altura da vida, o homem de respostas diretas ainda levanta a bandeira política. E assim pede para ser lembrado: “Um arquiteto que sempre se manteve fiel às suas ideias, à busca da beleza, à procura da surpresa arquitetural, ao interesse em explorar todo o potencial do concreto armado. Além de ver transformado este mundo injusto que nos cabe viver”, afirmou (leia entrevista ao lado). Ainda hoje, Niemeyer desenvolve novos projetos, como o aquário de Búzios (RJ) e uma biblioteca monumental desenhada para a capital de um país árabe. Em 75 anos de carreira, o arquiteto se ressente de não ter visto sair do papel a polêmica Praça Monumental e o Sambódromo, ambos planejados para Brasília.

O amigo e companheiro de trabalho Carlos Magalhães, responsável pelo escritório de Niemeyer em Brasília, diz que Oscar não liga para aniversários. “Para ele, é só mais um dia que vai vencer”, revela. Magalhães conta que o parceiro de projetos ainda gosta de se debruçar sobre pranchetas e que sonha em executar novas obras arquitetônicas em Brasília. “Antigamente, ele era mais agressivo na procura por trabalho. Mas a idade vai amaciando as pessoas, a gente vai perdendo o ferrão”, brinca. Segundo Magalhães, o prédio do Congresso Nacional é um dos maiores orgulhos de Oscar Niemeyer. “Ele dizia que a gente podia rodar o mundo inteiro que jamais veria uma coisa semelhante. O prédio alto, com suas cúpulas, a plataforma ligando os eixos, tudo isso faz ele se orgulhar”, afirma o arquiteto.

O professor da Universidade de Brasília (UnB), aluno durante 17 anos e grande admirador de Oscar Niemeyer, Claudio Queiroz, acredita que o modernista traduz nas obras a cultura brasileira. “Ele criou uma noção de brasilidade na arquitetura. Quem cai de paraquedas e vê as colunas romanas, sabe que está na Itália. Quem vê as colunas feitas por Niemeyer sabe que é o Brasil, a mistura de etnias e das nossas mulheres”, defendeu. Para ele, a arquitetura do carioca transforma a capital do país em uma cidade “simples e elegante”. “Niemeyer soube dizer na arquitetura aquilo que temos vontade de dizer. É o jeito que nós somos. Assim como a ginga do Garrincha, o oportunismo do Pelé e a capoeira, existem as obras de Niemeyer. Ele está para o mundo como Aleijadinho está para Minas Gerais”, comparou.

Brilho
Claudio Queiroz ressalta o trabalho inovador de Niemeyer com o concreto. “Ele soube, como ninguém, usar a condição do concreto armado para criar os espaços vazios e acabar com as paredes que erguem o segundo andar”, disse. Responsável pelos traços e curvas de cartões postais de várias cidades do Brasil e do mundo, Niemeyer está sujeito a críticas e elogios a todo instante. Mas até mesmo quem não concorda com as obras assinadas por ele reconhece a importância do trabalho. A professora da Faculdade de Arquitetura da UnB Sylvia Ficher considera o modernista “único” pelo volume de construções idealizadas por ele, além do longo período de trabalho, da juventude até hoje. “Ele tem um percurso arquitetônico que mudou ao longo do tempo. Tem o Oscar Niemeyer do início da década de 40, o das décadas de 50 e 60, o dos anos 70 e o dos últimos 30 anos, com uma arquitetura colossal e com ênfase na forma”, explicou a historiadora da arquitetura.

Segundo Sylvia, São Paulo é privilegiada com a qualidade das obras de Niemeyer, enquanto Brasília sofre com a quantidade de edifícios com a assinatura dele. “Na década de 50, ele passou por um momento de brilho, de grande criatividade em relação aos valores que ele atribui à arquitetura”, explicou. Nesse período, foi construído o Ibirapuera, o Edifício Copan, o Edifício Montreal e a Galeria Califórnia, que quebraram o concreto quadrado da capital paulista.

Na capital do país, por outro lado, a historiadora critica o domínio do mercado da arquitetura cívica. “No meu entender, obra pública tem tudo a ver com concurso público”, rebateu. Apesar das críticas, ela acredita que Niemeyer é “injustiçado”. Segundo Sylvia, ao mesmo tempo que Oscar incentiva e encoraja artistas de todo o mundo, aqueles que bebem da fonte de criatividade do carioca não lhe dão os devidos créditos. “Ele é muito elogiado e inspirador, mas, em contrapartida, a influência dele ainda é pouco estudada”, defendeu.

INAUGURAÇÃO
» No dia em que completa 103 anos, o arquiteto Oscar Niemeyer participará da inauguração do sexto prédio do complexo Caminho de Niemeyer, em Niterói. (RJ) A fundação que leva o nome do arquiteto tem aproximadamente 4 mil metros quadrados e abrigará um espaço cultural, Centro de Pesquisa e Documentação e a Escola Niemeyer de Arquitetura e Humanidades. Esta é a sexta obra do Caminho. Ainda falta a construção da Torre Panorâmica, do Centro de Convenções e do Centro Petrobras de Cinema. Durante o evento, será distribuída a nova edição da Revista Nosso Caminho, de publicação trimestral.

SEIS PERGUNTAS PARA OSCAR NIEMEYER, ARQUITETO
Aos 103 anos, o que o arquiteto Oscar Niemeyer ainda não fez?
O que não pude ver realizado, mas cheguei a projetar com o maior entusiasmo, é um estádio de futebol. Um estádio diferente dos outros, revelando uma concepção moderna.

Do que mais se orgulha?
Talvez da coerência de minha posição política, de meu compromisso inabalável de contribuir para a emergência de uma sociedade mais fraternal, justa e solidária.

O que é maior: a saudade do já vivido ou a vontade de continuar vivendo?
Ambos os sentimentos coexistem em mim. Se o meu entusiasmo pela criação arquitetural, por minha mulher, pelo trabalho só tende a crescer, também se aprofunda o sentimento de perda de muita gente... De meus pais, irmãos, de tantos amigos, dentro e fora do país.

Há do que reclamar?
Com certeza. Temos que nos queixar da continuidade de tantas disparidades sociais e econômicas que ainda afligem os segmentos menos favorecidos do Brasil e de inúmeros outros países. Há que reclamar e se indignar.

Qual a sua rotina de produção atual? A que projetos se dedica prioritariamente?
Minha rotina pouco mudou neste último ano. Estou voltado para novos projetos, com destaque para um aquário a ser construído em Búzios, uma monumental biblioteca já desenhada para a capital de um importante país árabe e um teatro destinado a espetáculos musicais, na Argentina.

Existe algum projeto para Brasília que ainda não saiu do papel, mas que o senhor gostaria de ver realizado?
A praça monumental que desenhei há mais de um ano e que se converteu em objeto de intensa polêmica. Em meu modo de ver, é uma praça que falta a Brasília. E também gostaria de ver construído o Sambódromo, projetado há uns dois anos.

INÍCIO AO LADO DE LUCIO COSTA
Helena Mader
Oscar Niemeyer nasceu no bairro de Laranjeiras, no Rio de Janeiro, em 15 de dezembro de 1907. Neto de um ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), gostava de passar o tempo na casa dos avós. Mestiço orgulhoso, descendente de portugueses, árabes e alemães, ele se casou em 1928 com a bela Annita Baldo, filha de imigrantes italianos. No ano seguinte, o jovem Niemeyer ingressou na Escola de Belas Artes.

Lá, o destino do arquiteto começou a ser traçado. Enquanto os estudantes buscavam estágios bem remunerados em firmas construtoras, Niemeyer começou a frequentar o ateliê de Lucio Costa e de Carlos Leão sem pedir nada em troca. “Me diziam que lá eu encontraria o caminho da boa arquitetura”, justifica Oscar. Como desenhava bem, ele começou a ganhar espaço no escritório. Pouco depois, Lucio Costa aceitou o convite do então ministro da Educação e Saúde, Gustavo Capanema, para projetar a sede de seu ministério. Dali sairia a primeira grande obra de Oscar Niemeyer.

Ele havia acabado de conhecer o arquiteto suíço Le Corbusier, que estava no Rio de Janeiro para palestras. Desenvolveram um “clima de simpatia”. Inspirado em croquis de Le Corbusier para o novo ministério, Niemeyer desenvolveu um projeto, que acabou escolhido pelo próprio Lucio Costa. “Um dia, Le Corbusier comentou que eu tinha as montanhas do Rio dentro dos olhos. Achei graça”, relembrou o arquiteto em suas memórias.

Nova capital
O primórdio da aventura da construção de Brasília foi a Pampulha, em Belo Horizonte. Juscelino Kubitschek, então prefeito da cidade, convidou Niemeyer para desenvolver esse projeto — uma área à beira de uma represa, com cassino, igreja e um restaurante. “Preciso do projeto do cassino para amanhã”, disse JK. E Oscar cumpriu a promessa, trabalhando noite adentro em um quarto de hotel. “Com a obra da Pampulha, o vocabulário plástico da minha arquitetura — num jogo inesperado de retas e curvas — começou a se definir”, explicou.

Em 1957, surgiu o desafio que mudaria a vida de Oscar Niemeyer e a história da arquitetura moderna. Ele foi procurado novamente por JK, à época presidente da República, para tocar uma empreitada singular. “Entusiasmado, JK contou-me que pretendia fazer uma cidade moderna, concluindo empolgado, ‘a mais bela do mundo’”. Mas a primeira sensação de Niemeyer não foi de admiração. “Confesso não ter tido uma boa impressão do lugar. Longe, longe de tudo, terra vazia e abandonada.”

Oscar mudou-se para Brasília com seus colaboradores, médicos, jornalistas e “quatro camaradas que não cuidavam de arquitetura”. O próximo passo rumo à consolidação da nova capital ocorreu logo depois: a abertura do concurso para a escolha do Plano Piloto de Brasília, vencido pelo arquiteto e urbanista Lucio Costa. O primeiro grande monumento a sair do papel foi o Palácio da Alvorada. As colunas, copiadas em prédios do Brasil, dos Estados Unidos, da Grécia e da Líbia até hoje enchem o arquiteto de orgulho. “As cópias não me incomodavam. Era a prova de que meu trabalho agradava a muita gente.”

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Moradores do Grande Colorado tentam suspender legalização de 42 condomínios

12/12/2010 - Correio Braziliense - Mara Puljiz

A polêmica envolvendo a regularização de 42 parcelamentos na região do Grande Colorado, em Sobradinho, vai parar na Justiça a partir de amanhã. A equipe jurídica da União dos Condomínios Horizontais se mobilizará para impedir a publicação no Diário Oficial do DF dos decretos assinados pelo governador Rogério Rosso na última sexta-feira. Síndicos de 17 parcelamentos alegam que a medida não teve a anuência dos moradores e que o projeto aprovado atende exclusivamente aos interesses da Urbanizadora Paranoazinho S.A. A empresa é responsável pela legalização das terras e pela elaboração dos estudos para ocupação de áreas vazias dentro da poligonal da antiga fazenda. Caso o decreto seja publicado antes, a comunidade tentará suspender os efeitos legais. 
 
Síndico do Morada dos Nobres, Inácio Dias reclama que a comunidade não foi ouvida. 'Fizemos projetos, mas o GDF nem olhou para as nossas plantas' (Gustavo Moreno/CB/D.A Press )
Síndico do Morada dos Nobres, Inácio Dias reclama que a comunidade não foi ouvida. "Fizemos projetos, mas o GDF nem olhou para as nossas plantas"

De acordo com o síndico do Condomínio Morada dos Nobres, Inácio de Castro Dias, os moradores não foram comunicados anteriormente, mas receberam a notícia da regularização pela imprensa. Inácio diz que os moradores pagaram por um projeto próprio, mas que não chegou a ser analisado pelo governo. “Nem olharam para as nossas plantas. Não fizeram nada. Deixaram tudo empilhado e engavetado”, acusou. Inácio, porém, ponderou que o grande medo dos moradores é com relação ao tipo de estudo que foi aprovado. “Ao que sabemos, aqui dentro do condomínio vai passar uma avenida. O pessoal da Urbanizadora Paranoazinho até negociou com o dono de uma chácara para que ele saísse. Além disso, tive a informação de que nossas áreas comuns, como praças e quadras, vão ser parceladas para virar empreendimentos”, acrescentou o síndico. 

O GDF garante que todos os processos seguiram os trâmites legais dentro do Grupar, o Grupo de Regularização de Parcelamentos do Governo do Distrito Federal. O diretor da Urbanizadora Paranoazinho, Ricardo Birmann, rebate as acusações. Ele garante que a polêmica é desnecessária e argumenta que a confusão foi gerada por pessoas com interesses eleitorais. Birmann garante que não haverá qualquer modificação nas áreas comuns dos parcelamentos, como temem alguns síndicos. 

“Cada área foi aprovada com a destinação que ela tem hoje. Não haverá construção de avenidas onde hoje existem residências”, afirma o diretor, tentando tranquilizar a comunidade. “Onde fizermos qualquer tipo de incorporação, não haverá interferência com os condomínios. Tem muita gente que quer criar polêmica sem razão”, rebateu. Birmann afirmou ainda que toda a topografia foi realizada por aerofotogrametria, “método mais preciso existente no país”. 

Comemorações 

Apesar dos protestos, há comemorações. O síndico do condomínio Bem Estar, localizado no Km 5 da DF-150, Marco Aurélio Roma Pessoa, 37 anos, esperava desde 2006 pela regularização da área, que é particular. O espaço abriga 164 lotes e aproximadamente 700 pessoas. “Fizemos o nosso projeto por conta própria, mas a Urbanizadora Paranoazinho teve o dela aprovado. Achei bom e acho que maioria dos moradores daqui vai achar também. O grande problema que a gente tem atualmente é com obra embargada. Nunca conseguimos liberação por se tratar de condomínio irregular. Agora, pelo menos, vamos ficar em paz”, defendeu. 

Segundo a presidente da União dos Condomínios Horizontais, Júnia Bittencourt, 17 condomínios dos 42 regularizados tinham projeto próprio. Há cerca de um mês, eles entraram com pedido de paralisação da análise de 23 estudos no Grupar. “Ontem (sexta-feira), o condomínio Império dos Nobres também pediu suspensão porque as pessoas não sabem o que está sendo aprovado. A realidade dos condomínios não foi levada em conta nessa regularização. Não significa que não queremos legalizar, porque isso para a gente é uma questão de honra. Mas não queremos ter um projeto que ninguém conhece”, justificou. 

Em resposta, Birmann disse fazer questão de mostrar o projeto aprovado para qualquer morador que tiver dúvidas. Quem tiver interesse pode procurar o posto de atendimento da empresa na DF-425. “Tudo o que nós fazemos é transparente. A empresa é séria e vai atender aos interesses da população”, disse. Quanto à ameaça de processos na Justiça, Birmann avaliou como um direito de qualquer cidadão. “Podem entrar com uma ação, mas não acredito que seja de interesse da comunidade interromper esse processo de regularização. A maioria sonha com a residência legalizada”, analisou. Na antiga Fazenda Paranoazinho, são 30 mil moradores de 52 condomínios. Desses, 46 já foram regularizados. Em relação ao preço de venda, Birmann disse apenas que será facilitado o pagamento em até 120 vezes, por um valor abaixo do mercado, “nunca antes visto nos jornais”. 

Herança 

Os herdeiros do antigo dono da Fazenda Paranoazinho, José Cândido de Souza Dias, venderam os direitos hereditários a uma empresa criada para gerenciar essas terras, a Urbanizadora Paranoazinho S.A. À época, também foi desapropriado o lugar chamado Largo do Saco da Lagoa, na Fazenda Sobradinho. A área desapropriada foi de aproximadamente 177 hectares e era parte desmembrada de outra maior, anteriormente pertencente a Balbino Claro de Alarcão e a Franklina Dutra de Alarcão. 

SEUS DIREITOS 

O posto de atendimento da Urbanizadora Paranoazinho fica na DF-425, lote 13, loja 1, no Condomínio Sol Nascente do Grande Colorado. Os interessados podem também ligar para o telefone 3485-2802, de segunda-feira a sexta-feira, em horário comercial

Reforma de rodovias ignoraram necessidade de ampliação de viadutos e pontes

12/12/2010 - Correio Braziliense - Luiz Calcagno

Na subida para Sobradinho, as quatro faixas de rolamento se transformam em três. O gargalo irrita os motoristas e atrapalha a circulação de carros (Gustavo Moreno/CB/D.A Press )
Na subida para Sobradinho, as quatro faixas de rolamento se transformam em três. O gargalo irrita os motoristas e atrapalha a circulação de carros

Mesmo após um investimento milionário para o alargamento de vias em todo o Distrito Federal, motoristas ainda sofrem com engarrafamentos nos horários de pico. Apesar de o trânsito fluir melhor nos trechos reformados, alguns gargalos permanecem, principalmente próximo a pontes e a viadutos que não foram ampliados com as novas faixas. Brasilienses passam mais de 40 minutos presos em estrangulamentos do tráfego como, por exemplo, o que ocorre na entrada de Taguatinga. Lá, as quatro faixas da Estrada Parque Taguatinga (EPTG) se transformam em apenas três no viaduto que dá acesso à cidade.

O problema é maior para quem chega à região. O trânsito começa a complicar ainda antes do horário de pico, por volta de 16h. Além da lentidão no local, o risco de acidentes nos trechos com afunilamento também é maior. A professora Débora Aires, 36 anos, mora em Vicente Pires e dá aula em Taguatinga. Ela sofre diariamente com o engarrafamento no local. “Essa obra não ficou boa. Às vezes, demoramos mais de meia hora para entrar na cidade. O governo resolve tudo o que está nos arredores do Plano Piloto, mas o resto do DF fica com um trabalho feito pela metade”, criticou.

Os motoristas que trafegam na Estrada Parque Núcleo Bandeirante (EPNB) passam por dificuldades semelhantes. A pista tem três faixas que se transformam em apenas duas pistas no viaduto que dá acesso à Estrada Parque Indústria e Abastecimento (Epia) e à entrada da Candangolândia. A terceira faixa segue rumo à Epia, no sentido Gama. O trânsito no local, que é complicado por conta das obras do viaduto do Núcleo Bandeirante, fica ainda pior nos horários de grande circulação. Quem trabalha nos postos de gasolina conta que, pela manhã, a lentidão vai até as 9h e recomeça por volta de 16h30.

Para o administrador Uirá Veneziane, 26 anos, que passa diariamente pelo viaduto, a falta de planejamento é motivo de atrasos no trabalho. “Há engarrafamentos e o lugar fica ainda mais perigoso. Se o DF não suporta a quantidade de carros que tem, o governo deveria ter se antecipado. Se vão alargar as vias, eles têm que fazer isso direito”, reclama Uirá. “Dependo do meu carro, trabalho com ele e fico constantemente preso no trânsito”, acrescentou. O comerciante Adriano Garrigo, 29 anos, também criticou o tráfego complicado. “Moro no Recanto das Emas e venho para o Núcleo Bandeirante cortando caminho pelo Park Way porque, pela EPNB, não tem condições”, lamentou.

Entre Águas Claras e o Park Way, próximo à ponte do metrô, também há um estrangulamento de faixas. No sentido Park Way, a via de duas faixas é reduzida para uma, volta a ter duas e é reduzida novamente a uma pista de mão dupla, por conta de obras no local. No sentido oposto, o estrangulamento é causado pela obra, que faz com que o trânsito seja desviado, e o que eram duas faixas vira uma única de mão dupla. Além disso, nos viadutos das Saídas Sul e Norte, sentido Aeroporto e Granja do Torto, respectivamente, também há um afunilamento de três para duas faixas.

Colorado
Na subida da BR-020, sentido Sobradinho e Planaltina, após a ponte sobre o Ribeirão Torto, o estreitamento de faixas também causa transtorno para os motoristas. Nesse caso, no entanto, o afunilamento não ocorre por causa da ponte. A redução é na própria pista, que tem partes alargadas antes e depois do trecho assinalado. O trânsito começa a se intensificar por volta de 17h e quem vai para o norte do DF enfrenta entre 20 minutos e uma hora no engarrafamento. De acordo com motoristas que passam pelo local, nos dias de maior lentidão, ambulantes aproveitam para vender água e doces na pista.

A professora de educação física Silene Andreotti, 33 anos, moradora de Sobradinho, contou que vai ao Plano Piloto pelo menos cinco vezes por semana. Ela acredita que os alargamentos de vias melhoraram o trânsito, apesar dos afunilamentos. “É melhor dirigir no DF após as obras. Mas, ainda assim, acredito que tudo está sendo feito às pressas. Nesses trechos, ocorrem muitos acidentes. Perdi meu pai em um acidente de carro em um afunilamento nas obras da Epia”, contou.

Tragédia 

Em 12 de novembro, por volta de 17h20, um Corsa azul placa JEC-6745(DF) atingiu um Corolla prata, placa JFZ-8117(DF), após cair do viaduto, de uma altura de cerca de 12 metros. O motorista do Corsa, um jovem de 17 anos que teria perdido o controle quando seguia rumo à EPTG, morreu na hora. Outro rapaz, também de 17 anos, morreu no mesmo dia, no Hospital de Taguatinga.

Risco maior de acidentes e de mortes

Especialistas classificam os estrangulamentos em vias que já foram alargadas como uma falta de planejamento. O professor do Departamento de Engenharia Civil e Ambiental da Universidade de Brasília (UnB) Dickran Berberian acredita que os gargalos aumentam o risco de acidentes entre os motoristas. “Isso é uma questão de projeto de traçado. Encontraram um viaduto, mas não o alargaram. Isso causa engarrafamento. É falta de planejamento global, um trabalho feito pela metade”, criticou. O especialista alerta que a demora para concluir as obras pode gerar um aumento nos custos. “Quando adiamos, acabamos fazendo a obra em regime de urgência, às pressas. Dessa forma, fica malfeito. Se for em época de chuva, tem um monte de complicações e pode ficar o dobro do preço”, alertou.

Morador do Grande Colorado, o estudante de gastronomia Matheus Eleutério, 20 anos, cruza a BR-020 todos os dias e enfrenta o gargalo do trânsito no local. Ele descreveu o tráfego na subida como “cansativo”. Para ele, o governo está mais interessado em inaugurar obras do que concluí-las de fato. “Estamos cheios de obras na cidade, mas os políticos só se preocupam com inaugurações. Esse afunilamento mostra que o dinheiro da população está sendo jogado fora”, acusou.

O GDF assume que os trechos estão incompletos. O secretário de Transportes, Paulo Barongeno, explicou ao Correio que, no caso do viaduto de Taguatinga, a segunda etapa das obras da Linha Verde inclui o alargamento de faixas do elevado, o que resolveria o engarrafamento. “A próxima fase do projeto prevê a implantação de corredores exclusivos e a ampliação de vias como a Hélio Prates, Comercial, Samdu, SIG e ESPM”, declarou Barongeno.

O diretor-geral do Departamento de Estradas de Rodagem, Genésio Tolentino, garantiu que o governo tem planos para “equacionar os problemas de congestionamento”. No entanto, ele prefere não falar em datas. Sobre a DF-075 (EPNB), ele diz que a pista será alargada, com a construção de viadutos. Na subida que vai para Sobradinho, também há estrangulamento após a ponte do Ribeirão do Torto. “A obra será feita após a aprovação dos respectivos projetos pela área ambiental”, disse Tolentino.

sábado, 27 de novembro de 2010

Distrito Federal vai ganhar um mercado de peixes

27/11/2010 - DFTV 2ª Edição 

A construção começa na próxima semana, na Ceasa. O mercado deve gerar mais lucro para produtores e levar um peixe mais barato e com mais qualidade para a mesa do brasiliense.

Apesar de o Distrito Federal estar a mais de mil quilômetros do mar, é um dos lugares do Brasil onde mais se come peixe. Enquanto a média nacional de consumo é de 6,8 quilos por ano, aqui é de 14 quilos por ano.

“É um alimento saudável e recomendado pelos médicos. Lá em casa, o consumo de peixe é muito frequente”, fala servidor público João Borges. 

A piscicultura no DF é feita por cerca de 350 pequenos e médios produtores, que atendem a somente 20% deste consumo. A partir da próxima semana, vai começar a ser construído um mercado de peixes em uma área de mais de 280 metros quadrados dentro da Ceasa. 

“Vamos ter uma infraestrutura completa, desde os tanques para se vender o peixe vivo até a mesa de filetagem, câmara fria, fábrica de gelo e as baias para atender aos consumidores”, indica o secretário de Agricultura, Agnaldo Alves Pereira. 

A obra deve diminuir a distância entre o piscicultor e o consumidor de peixes do DF. Com isso, os produtores devem ter um lucro maior e o consumidores, um desconto de até 20% no peixe de água doce. 

“Isso é muito bom para a gente. Se o custo diminuir, a gente até aumenta o consumo”, garante um homem. O mercado de peixe deve ficar pronto em fevereiro. O investimento é de quase R$ 450 mil. 

Albert Steinberger / Romildo Gomes

sábado, 30 de outubro de 2010

Arquiteto ajudou a calcular coordenadas do projeto de eixos e asas de Brasília

30/10/2010 - Correio Braziliense - Conceição Freitas

Jayme Zettel era um jovem recém-formado quando foi trabalhar no escritório de Lucio Costa. Ele foi orientado pelo engenheiro Augusto Guimarães Filho

Carioca de descendência russa, Zettel casou-se em Londres com uma brasileira e veio para a capital chefiar a Novacap - (Arquivo Pessoal
)
Carioca de descendência russa, Zettel casou-se em Londres com uma brasileira e veio para a capital chefiar a Novacap

Era um fim de tarde e o Sol se punha na dobra da Terra, que, naquela época, tinha a imensidão vazia da Lua. Brasília ainda era um risco no papel e trilhas no cerrado. O jovem arquiteto Jayme Zettel desceu do jipe à procura do marco zero, da estaca que demarcava o ponto inicial do surgimento do Plano Piloto, o cruzamento dos dois arcos, o Monumental e o Rodoviário. Ele havia calculado, com ajuda de uma máquina Facit manual, o lugar exato de onde partiriam as asas e os eixos, tarefa feita sob a orientação do engenheiro Augusto Guimarães Filho.

Quando viu a estaca zero, Jayme Zettel explodiu em riso. A gargalhada do carioca, neto de imigrante russo, ressoou no vazio. O arquiteto, então, cumprimentou o pedaço de madeira: “Muito prazer, estaca zero”. Haviam sido “alucinantes” os dias de trabalho para finalmente encontrar o lugar a partir do qual se começaria a construir a capital. (É verdade que, àquela altura, em meados de 1957, já haviam começado as obras do Palácio da Alvorada e o Brasília Palace Hotel, mas o Plano Piloto ainda era apenas folhas de papel).

“Aparentemente, o terreno parecia plano, mas não era. Tínhamos de fazer corte, tira daqui, bota dali, vira o Eixo mais pra cá, desce o Plano, acerta com o lago, ajeitando, virando, para escolher a melhor posição da cidade”, conta Zettel, 79 anos, do Rio de Janeiro, em entrevista por telefone. A descrição do arquiteto sugere uma imagem: a de um Gulliver assentando, com as mãos, o Plano Piloto no solo, procurando o lugar mais adequado para aterrissar a Lilliput de Lucio Costa. “Hoje seria uma bobagem. O computador faria tudo.”

Todos os cálculos eram feitos no escritório de urbanismo no Rio de Janeiro e transmitidos via rádio. Era possível sentir, a mais de 1,5 mil quilômetros de distância, a pressa do presidente da Novacap, Israel Pinheiro, para que as obras começassem logo. “O trator já está aqui esperando, câmbio”, gritavam os de Brasília. “Já está indo, já está indo”, respondiam os do Rio. Geralmente, quem estava na mesa para receber e anotar as coordenadas era o engenheiro Joffre Mozart Parada, “um goiano discreto” que pegava os números e ia para o campo transformá-los em dado concreto. “Joffre colocou Brasília no chão, no sentido da topografia. Ele locou a cidade inteirinha”, diz Zettel. O engenheiro de Goiás morreu em 1976.

Privilégio

Imagem dos tempos em que começou a atuar no projeto - () 
Imagem dos tempos em que começou a atuar no projeto

O arquiteto carioca costuma dizer que “tirou a sorte grande”. Logo que se formou, foi trabalhar como desenhista no escritório MMM Roberto. E ajudou a desenhar o projeto dos três irmãos para o concurso do Plano Piloto. Quando Maria Elisa Costa, sua ex-colega de faculdade, convidou-o para trabalhar com Lucio Costa, Zettel teve a sensação de ganhador da Mega Sena daquele tempo: “Lucio era ‘o’ cara. Ele e Oscar (Niemeyer)”. Zettel mudou de emprego, mas continuou ligado no mesmo propósito: desenvolver o desenho da nova capital do Brasil. Só que com uma diferença: ele iria participar dos cálculos do projeto vencedor.

Dois anos mais tarde, em 1959, Jayme Zettel deixou os cálculos de Brasília para fazer um estágio de seis meses no London British Council (Londres, Inglaterra), por indicação de Lucio Costa e Oscar Niemeyer. O planejamento das cidades era um tema precioso para os ingleses. Depois da Segunda Guerra Mundial, foi preciso reconstruir Londres. Foi preciso reinventar a cidade, tirar as indústrias do centro, criar as new towns, as novas cidades, as cidades-satélites. Com tudo isso, Zettel poderia imaginar que os londrinos estavam tão entusiasmados com Brasília quanto os brasileiros. Mas não foi bem assim.

O professor do brasileiro, Johnson Marshall, tinha grave crítica ao projeto de Lucio Costa. Ele dizia que o defeito fundamental de Brasília era ser cortada por dois eixos, o que impediria que ela tivessse core, o centro, no jargão da arquitetura e do urbanismo. O jovem Zettel argumentava que a cidade ainda não estava pronta, que a ideia original incluía um conjunto arquitetônico ligando o Conjunto Nacional ao Conic. A circulação se daria por baixo desse complexo de diversões.

Críticas
Os ingleses também criticavam a monumentalidade da Esplanada, à qual atribuíram clara inspiração renascentista (crítica que continua sendo feita até hoje). Jayme Zettel voltava a defender o projeto do mestre. “Eu acho até hoje que é a grande sacada do projeto do doutor Lucio. Quando você chega a Brasília e olha a Esplanada com aquele Congresso ao fundo, você tem uma sensação de que chegou à capital do país.” Nas superquadras, porém, a escala é residencial. Os britânicos também não gostavam da segmentação — comércio/bancos/hospitais/hotéis. “Essa era, eu diria, a crítica mais pertinente. O resto era bobagem.”

Quando acabou o curso intensivo, Jayme Zettel foi convidado a continuar na Europa. Seu professor quis levá-lo para a Universidade de Edimburgo, na Escócia. “Nem pensar. Imagina perder uma chance dessas na vida.” Ele se referia à oportunidade única para sua geração e para muitas outras de participar da construção da capital do seu país. “Fazer uma cidade em três anos é um milagre e raramente as pessoas se dão conta disso. É uma história alucinada.”

De volta a Brasília, casado com uma brasileira que conheceu em Londres, Zettel foi chefiar a Divisão de Urbanismo da Novacap. A cidade já estava inaugurada, mas era preciso “preencher a estrutura óssea”, pôr os prédios no lugar — escolas, bancos, igrejas, comércio. Foi um deus nos acuda de pressões, pedidos e reclamações, especialmente dos evangélicos, que queriam terrenos para seus templos. “Não havia nenhum preconceito nosso, mas a Igreja Católica era uma só e sabia onde precisava de igreja. As evangélicas eram muitas. A cada dia aparecia uma nova igreja.”

O arquiteto da estaca zero ficou em Brasília até o Golpe Militar. Aqui teve dois filhos, Ivan e Ana. Zettel conta que os dois pequenos brasilienses, quando tinham de desenhar cidades e casas, rabiscavam tesourinhas e plantas baixas. Para o pai deles, Brasília foi “um momento de grande inspiração, um momento muito importante da vida brasileira”. Jayme Zettel foi presidente do Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), entre 1992 e1993. No cargo, assinou a Portaria nº 314/92, que regulamentou o tombamento de Brasília. Zettel é hoje o representante brasileiro no grupo de cinco arquitetos que está fazendo a restauração da sede da Organização das Nações Unidas (ONU) em Nova York (EUA), projeto de Le Corbusier e Oscar Niemeyer.

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Governo tem quatro dias para terminar obras na EPTG

27/10/2010 - DFTV 2ª Edição

Contagem regressiva: a promessa do GDF é entregar a nova EPTG no próximo domingo (31). Na tarde desta quarta-feira (27), o DFTV visitou a via e constatou que as obras parecem longe do fim.

O prazo está acabando e a Estrada Parque Taguatinga-Guará é um grande canteiro de obras. Parte da via ainda não tem faixas pintadas na pista e há poucos pontos de ônibus. Os postes estão sem luz, e há cabos de energia expostos no chão. No canteiro central, há muita terra e o sistema de escoamento acumula água da chuva. “Não tem a mínima condição de ficar pronta”, avalia um motorista. 

Um trecho da via ainda nem foi aberto aos carros, mas já apresenta problemas causados pela chuva. Sem grama, a terra da encosta começa a erodir, o que pode prejudicar o asfalto. Imagens feitas na EPTG na noite desta terça-feira (26) mostram a pista completamente alagada na altura do viaduto Israel Pinheiro. Os motoristas que se arriscaram tiveram que passar bem devagar. Os vizinhos dizem que a cena se repete a cada chuva forte. 

Hoje de tarde, a falta de sinalização provocou mais um acidente. A motorista se confundiu com as placas e acabou atingindo os blocos de concreto. “Está bem arriscado trafegar, principalmente de noite”, conta um motorista. 

A passarela de pedestres já está pronta, mas ainda não foi aberta ao público. Mesmo assim, alguns se arriscam nela. Outros, enfrentam os carros em alta velocidade. 

O gerente da obra, Samuel Dias, diz que até domingo a EPTG estará pronta no prazo, faltando apenas finalizar alguns detalhes, que serão feitos em novembro e dezembro. 

Luísa Doyle / Márcio Muniz

Duas casas são derrubadas em condomínio irregular no Altiplano Leste

26/10/2010 - Correio Braziliense  - Mariana Sacramento

Duas casas de um condomínio irregular na região do Altiplano Leste, no Paranoá, acabaram reduzidas a escombros na manhã desta terça-feira (26/10). Segundo a Agência de Fiscalização do Distrito Federal (Agefis), o Privê Morada Sul ocupa uma área pública, além de invadir parte do Parque de Uso Múltiplo das Esculturas. Uma das residências derrubadas estava dentro da reserva ecológica.

Saiba mais...De um dia para o outro, casas foram construídas em reserva ecológica"Existe uma decisão judicial que proíbe qualquer construção na área, sob pena de desobediência e desacato", disse o diretor de operações da Agefis Alexandre Naves. Outras seis casas que ficam na área do Altiplano Leste devem ser derrubadas em breve. Elas também estavam na lista da ação de hoje, mas, devido à chuva, a Agefis não pode concluir o serviço. Participaram da derrubada equipes da Subsecretaria de Defesa do Solo e da Água (Sudesa), da Polícia Militar e da Terracap.

Um dos proprietários de uma das casas derrubadas esta manhã disse que a Agefis não levou ordem oficial para a ação. Alguns condôminos se sentiram prejudicados e afirmaram que vão acionar o Ministério Público. Segundo eles, o local está em processo de regularização.

A instalação do Parque de Uso Múltiplo das Esculturas é uma reivindicação da comunidade. Mas, segundo o síndico do Privê Morada Sul, eles têm a posse do terreno desde 2000. "Essa área está dentro do condomínio. Inclusive, é a única que não pertence à Terracap, com posse reconhecida na justiça", reclamou. 

O que diz a Lei

O Decreto n° 28.516, de 07 de dezembro de 2007, criou o Parque de Uso Múltiplo das Esculturas, situado no Paranoá. Assinado pelo então governador José Roberto Arruda, o texto determina a área total do parque em 61.004,00m², com perímetro de 1.437,71m. A norma afirma que a implantação é responsabilidade da Terracap. Além disso, dá as coordenadas do lugar e explica as finalidades do parque, que, segundo o texto, será coordenado pelo Instituto Brasília Ambiental (Ibram), pela Administração Regional de Paranoá e pela Secretaria de Estado de Cultura do DF. Entre os objetivos, estão a promoção e a recuperação de áreas degradadas e plantio de espécies nativas do cerrado, o desenvolvimento da educação ambiental e da educação artística e o desenvolvimento de programas de observação ecológica e de pesquisas.


terça-feira, 26 de outubro de 2010

Oito faixas da via expressa da EPTG serão liberadas nesta terça-feira

25/10/2010 - Correio Braziliense

As faixas da via expressa do viaduto de Águas Claras, na Estrada Parque Taguatinga (EPTG), nos sentidos Plano-Piloto/Taguatinga e Taguatinga/Plano Piloto serão liberadas nesta terça-feira (26/10). No total, são oito faixas de rolamento. Ainda restam ser liberados três viadutos.

Na última sexta-feira (22), a Secretaria de Transporte liberou as quatro faixas do viaduto do SIA na EPTG (sentido Plano Piloto/Taguatinga). Na última terça-feira (19), foram liberadas três faixas do mesmo viaduto, no sentido Taguatinga/Plano Piloto.

De acordo com a secretaria, a quarta faixa, que é a do corredor exclusivo para ônibus, ficará pronta nesta semana. Os motoristas devem ter cuidado ao passar no trecho, pois há faixas de pedestres nos dois sentidos. Após a conclusão das vias, viadutos e passarelas, as faixas serão retiradas.

http://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia182/2010/10/25/cidades,i=219886/OITO+FAIXAS+DA+VIA+EXPRESSA+DA+EPTG+SERAO+LIBERADAS+NESTA+TERCA+FEIRA.shtml






http://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia182/2010/10/25/cidades,i=219886/OITO+FAIXAS+DA+VIA+EXPRESSA+DA+EPTG+SERAO+LIBERADAS+NESTA+TERCA+FEIRA.shtml

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Samambaia comemora 21 anos

25/10/2010 - DFTV 2ª Edição 

Com 180 mil habitantes, cidade é uma das que mais cresce no DF e se esforça para ter galeria de arte a céu aberto. Como presente, Samambaia ganhou um monumento chamado “encontro”.

O monumento faz parte de um projeto do artista plástico Elton Skartazini, que mora em Samambaia desde a inauguração, em 1989. A peça inaugurada hoje já é a sexta instalada nos balões de Samambaia. As obras buscam incentivar o desenvolvimento cultural, artístico e esportivo. 

Samambaia ganhou também mais um campo de futebol, o terceiro da cidade. Ele é de grama sintética e atende aos moradores da QR 311.

Obras irregulares desafiam fiscalização no Altiplano Leste

25/10/2010 - Bom Dia DF

De um dia para o outro, casas vão sendo erguidas em terrenos públicos. Vizinhos também reclamam de um condomínio, mas síndico diz que local está sendo regularizado.

Quem mora perto do Altiplano Leste diz que um terreno da região está cercado há mais de um ano. Nos últimos meses, o cerrado foi sendo tomado por postes, pontos de energia e saídas de água. Os lotes estão demarcados e numerados. 

“Eu moro aqui há muito tempo e sempre teve essa procura para cercar essa área, mas, no período eleitoral, intensificou muito.”, conta o morador Marcelo Nunes. O antigo campo de futebol virou parte do loteamento. Uma casa foi construída há algum tempo. Já os barracos e parte da cerca são recentes. 

A equipe de reportagem do Bom Dia DF tentou conversar com o vigia que estava no lugar. Ele apenas disse que foi contratado por uma empresa, mas não deu detalhes. 

Os moradores da região denunciam: para driblar a fiscalização, as construções são feitas rapidamente, de forma clandestina. Uma casa, por exemplo, teria sido erguida da noite para o dia. 

“Começou a chegar material por volta das 17h. Às 21h, já estava começando a ser erguida a casa. Ás 2h, já havia uma operação de filme, chegando caminhão, material, holofote. Um monte de gente trabalhava, com entre e sai muito grande de caminhão. Hoje de manhã já está aí a casa, com telhado, rebocada e com muro”, relata o morador Maurício Júnior. 

O pior, alegam moradores do Altiplano Leste, é que parte do loteamento está numa área de parque: o Parque das Esculturas, criado por decreto em 2007. “A destinação dessa área é para o futuro da nossa sociedade aqui do Altiplano Leste”, defende o morador Renato Bormann. 

O síndico do condomínio Privê Morada Sul - Etapa C, Ivan Zelaya, diz que não há grilagem de terra. Ele admite que parte dos 860 lotes está em terra pública, mas quem comprou não sabia e paga IPTU. 

“Esses lotes estão cadastrados há quatro anos. Se eles não tivessem demarcação, não poderiam ser cadastrados. Ocorre que a gente tem que dar manutenção e mandamos pintar os piquetes para ficarem mais visível. Mas os lotes já existem, como eu disse, há dez anos. 
As pessoas estão aqui de boa fé, pagando IPTU e acreditando na regularização”, afirma Ivan. 

O diretor da Terracap, Luís Antônio Reis, afirma que o condomínio está em fase de regularização./ por ser área pública, os lotes vão ter de ser comprados do governo. “Se a pessoa comprar hoje, acho que está entrando numa canoa furada. Não tem menor possibilidade depois de ele regularizar essa área”, ressalta o diretor da Terracap. 

Já o parque não poderá ser ocupado. “A área onde está o Parque das Esculturas não poderá ser um condomínio, ela será um parque, que um dia será implantado pelo Distrito Federal”, alerta Luís Antônio Reis. 

O diretor da Terracap disse também que as casas erguidas naquela área vão ser derrubadas. Quem for pego construindo vai ser multado. 

Rita Yoshimine / Emerson Soares

domingo, 24 de outubro de 2010

Plano Piloto Original

Lúcio Costa

Licitação do Noroeste está marcada para esta terça-feira

24/10/2010 - Correio Braziliense - Josie Jeronimo

Terracap decide não acatar recomendação do Ministério Público e anuncia que vai incluir 21 lotes comerciais do novo bairro na licitação desta terça-feira. Decisão se sustenta em parecer da procuradoria jurídica da empresa

A Companhia Imobiliária de Brasília (Terracap) reconsiderou a decisão de tirar os 21 terrenos comerciais do Setor Noroeste da licitação marcada para esta terça-feira. Em reunião realizada no fim da tarde de sexta-feira, a empresa pública recebeu parecer de sua procuradoria jurídica informando que apesar de o enquadramento dos lotes ser questionado na Justiça, não há impedimentos legais para a venda dos terrenos localizados nas quadras CNRW 510, 511, 710 e 711. Depois da reunião, a companhia decidiu enviar novo ofício ao Ministério Público do Distrito Federal revogando documento encaminhado no dia 19 deste mês, assinado pelo presidente da Terracap, Dalmo Alexandre Costa. O primeiro ofício acatava a recomendação da Promotoria de Defesa de Ordem Urbanística que pediu a retirada das unidades do Noroeste da licitação.

Somente amanhã, o MP será notificado do não acatamento da recomendação feita. “Ele (Dalmo Alexandre) voltou atrás porque a procuradoria entendeu que não há fundamento para a retirada dos lotes. Decidiu mandar outro ofício”, explica o diretor técnico da Terracap, Luís Antônio Reis. Segundo o diretor, da lista de recomendações do MP, apenas o item que trata da suspensão da venda dos terrenos do Noroeste será desconsiderada pela empresa. “A Terracap acata algumas recomendações e as outras não.”

A contestação da legalidade dos terrenos que deram origem a quadras de final 10 e 11 no novo bairro está sendo analisada pela Vara do Meio Ambiente Desenvolvimento Urbano e Fundiário do Distrito Federal. O MP entrou em maio deste ano com ação civil pública questionando o desenho previsto para o Noroeste. Promotores que compararam plantas do projeto Brasília Revisitada — que tem a definição das manchas urbanas propostas por Lucio Costa — com a área a ser ocupada pelo novo bairro alegam que o empreendimento ultrapassa os limites previstos nas diretrizes de expansão do Plano Piloto.

A liminar do MP, no entanto, não foi acatada. Os promotores que atuam no caso entraram com outros dois recursos, mas até agora não conseguiram vitória na Justiça para suspensão da obra. Quando receber na segunda-feira o comunicado da Terracap sobre o não cumprimento da recomendação de interromper a venda dos lotes, o Ministério Público pode ingressar com novo recurso, mas a ação não deve ser analisada antes da licitação. “Eles podem entrar com alguma medida judicial. Mas até agora não tiveram sucesso”, resume a chefe do núcleo de contencioso da Terracap, Thaís de Andrade Moreira Rodrigues.

O diretor técnico da empresa pública informa que não há nenhuma pendência judicial que prejudique a venda dos terrenos e afirma que a companhia cumpriu determinação de divulgar, por meio de publicidade institucional e dados contidos no edital de licitação, as ressalvas dos lotes em questão. “A Terracap entende que o processo de aprovação do bairro Noroeste foi perfeito. O bairro é licenciado, os lotes estão registrados e uma ação proposta pelo MP para suspender as obras não obteve sucesso. Não existe fundamento jurídico que impeça a Terracap de realizar a vende. Reconhecemos que a recomendação do MP é legítima, mas a decisão da Terracap em vender também é legítima”, argumenta Luís Antônio Reis.

Vestígios da pré-história na região do Entorno do DF

24/10/2010 - Correio Braziliense - Leilane Menezes, Renato Alves

Embora de colonização recente, a região do Entorno do DF é marcada por locais onde há nítidas provas de que o homem já habitava as proximidades há mais de 10 mil anos

Pinturas rupestres econtradas nas grutas da Fazenda Toca da Onça: pesquisadores acreditam que o homem tenha feito com um tipo de pincel especial e com os dedos
Um passeio pelo Entorno do Distrito Federal pode revelar um pouco mais sobre a evolução da humanidade. A região guarda verdadeiras relíquias ignoradas pela maior parte da população. São sinais da presença do homem pré-histórico, à disposição de qualquer interessado em descobrir como ele vivia. Há pontas de lanças, machadinhas e uma infinidade de outros instrumentos fabricados há até 12 mil anos. Estão enterrados ou jogados no meio do caminho, como se não tivessem valor.
As lembranças dos primeiros seres humanos que habitaram o Planalto Central escondem-se em pelo menos 29 grutas da região, catalogadas por historiadores. O Correio percorreu alguns pontos e encontrou contrastes. Beleza e também degradação e abandono.

Em alguns locais, como na Toca da Onça, em Formosa (GO), a 80km do Plano Piloto, os homens das cavernas deixaram também pinturas rupestres. Pesquisadores acreditam que eles tenham usado um tipo de pincel feito especialmente para esse fim e os próprios dedos. Os desenhos mostram animais, retratos rústicos do ser humano e representações do céu, além de muitos outros símbolos ainda não desvendados. Os tons variam do alaranjado ao vermelho, com traços em preto.

A nitidez das imagens — feitas há, no mínimo, 10 mil anos — impressiona. No teto da caverna, é possível ver desenhos de pés achatados, sem a curva lateral com a qual o homem atual está acostumado. Alguns têm quatro dedos; outros, seis ou cinco. À primeira vista, o visitante se pergunta: como aqueles pés foram parar ali, tão alto? Habilidades do homem da caverna.

O dono da Fazenda Toca da Onça é Herculano Lêdo Filho, 65 anos, nascido em Formosa. Comprou o terreno há 20 anos. Desde então, mantém as porteiras sempre fechadas, para controlar o acesso. “Visita aqui, só acompanhada. O pessoal vem, vê as pinturas, faz rapel. Mas sem depredar”, afirmou. Ainda assim, o homem deixa seu rastro de destruição. Mesmo diante da tentativa de preservar o meio ambiente e a história, alguns vândalos picham o próprio nome ou arrancam pedaços da caverna.

Riqueza
O Sítio Arqueológico do Bisnau, também próximo a Formosa, não escapou da ação do ser humano. Ali, os primeiros habitantes esculpiram símbolos em um tipo de rocha frágil, chamada de arenito. As gravuras em baixo-relevo são classificadas como petroglifos pelos cientistas. Alguns dos poucos turistas que visitam o Bisnau não ajudam a preservá-las. Para aumentar a visibilidade do desenho, eles riscam o baixo-relevo com giz, tinta e outras pedras. Técnica desnecessária, pois a própria natureza dá destaque à obra pré-histórica.

A natureza, aliada à falta de intervenções humanas positivas, também contribui para a destruição. Enxurradas fortes que descem sobre o paredão arrancam finas camadas de rocha. Plantas crescem em meio à tela rochosa e escondem os desenhos. Recentemente foi instalada uma cerca em volta do paredão. Mas, até dois anos atrás, sem barreiras, o gado pisava nas gravuras e deformava o relevo.

Para conhecer as preciosidades de Bisnau, é preciso passar por algumas fazendas. O dono de uma delas, Gilberto Thomé, 59 anos, não consegue impedir a entrada de visitantes mal intencionados. “Só existe uma entrada para essa região. Aqui dentro tem outras fazendas, por isso não posso trancar a porteira sempre que quero. Fico muito indignado quando alguns grupos de turistas aparecem, fazem a maior bagunça e vão embora. Eles deixam latas, garrafas e estragam o baixo-relevo”, reclamou.

Por outro lado, há quem venha de fora do Brasil para conhecer a riqueza histórica de Bisnau. Gilberto recebe frequentemente a visita de geólogos africanos e franceses, por exemplo, interessados em desvendar os segredos daqueles símbolos. “Quando chegam aqui, ficam impressionados. Dizem que viram as mesmas figuras na África, o que é muito intrigante. Um francês me disse que já viu esses desenhos, só que feitos por homens da região do Pacífico”, relatou Gilberto, o guardião do Bisnau.

Desde o fim do século 19, quatro expedições científicas visitaram as grutas e sítios arqueológicos de Formosa. A maior contribuição foi dada por arqueólogos goianos e cariocas integrantes do Projeto Bacia do Paranã, da Universidade Federal de Goiás (UFG). Por dois anos, na década de 1970, eles exploraram as cavernas da bacia hidrográfica do Rio Paranã. O resultado do trabalho deu origem à publicação de um relatório detalhado sobre a fase pré-cerâmica e de arte rupestre do Planalto Central, em 1977. O DF também tem sítios arqueológicos, espalhados por Taguatinga e Gama.

Levantamento
A Superintendência do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) em Goiás concluiu recentemente o primeiro mapeamento dos 1.555 sítios arqueológicos do estado. Todos os dados coletados estarão em um banco de dados digital. Como os de Formosa, a maioria dos sítios do estado vizinho do DF se mantém exposta ao vandalismo e desconhecida da população.

No levantamento, ficou clara a falta de informações precisas sobre os sítios arqueológicos goianos. Até então, dos mais de 1,5 mil registrados, apenas 382 estavam georreferenciados. Agora, 799 têm a localização exata. Os outros 756 trazem meras referências, como “dentro da fazenda” de alguém, “após a porteira”, “em uma mata”.

“Alguns desse sítios já não existem mais, estão embaixo de hidrelétricas, por exemplo. Em outros, faremos o georreferenciamento usando equipamentos bem mais modernos que os do tempo em que os sítios foram descobertos”, explica a arqueóloga Ellen Carvalho, do Iphan de Goiás.

O trabalho também servirá para saber o estado de preservação dos sítios e quais estão em condições de ser abertos à visitação pública. “Todas as informações fazem parte de um plano maior, nacional, de popularização dos sítios arqueológicos. Agora, precisamos definir quais podem ser visitados e quais não podem, de forma alguma, receber visitantes, por causa da fragilidade”, observou Ellen Carvalho.

Como chegar

» Sítio do Bisnau 
Entrada no Km 46 da BR-020, 45km após Formosa. Depois de deixar a rodovia, siga de carro por uma trilha de terra. São cerca de 5km até a pedra. Também há uma cachoeira no local. É preciso agendar horário com o dono da fazenda, Gilberto, antes de visitar. Preço: R$ 5. Informações: 6958-3889.

Toca da onça

Pegue a GO-116, em direção ao Salto do Itiquira. Ande 2km pela rodovia asfaltada e entre no primeiro acesso à direita. São 7km até a porteira da Fazenda Pedra, onde ficam as grutas. Para informações sobre guias turísticos e agendamento de visita, ligue para 3631- 4478. Preço da visita: R$ 10 por pessoa.

Para ler

História da terra do homem no Planalto Central — Eco-história do Distrito Federal, do indígena ao colonizador, de Paulo Bertran. Editora Verano, 2000, 270 páginas.

Para saber mais

Os sítios arqueológicos

Um sítio arqueológico é onde os homens que viveram antes do início da nossa civilização deixaram alguns vestígios de suas atividades: uma ferramenta de pedra lascada, uma pintura ou até a simples marca de seus passos. A arqueologia, ciência que estuda os costumes dos povos antigos, começou no Brasil em 1834. Nessa época, o dinamarquês Peter Lund (1801-1880) escavou as grutas da Lapa Velha, em Lagoa Santa (MG). Lá, foram encontrados ossos humanos misturados com restos animais de 20 mil anos. Há cerca de 20 mil sítios arqueológicos espalhados pelo Brasil. Poucos têm a proteção do governo.

Coordenadas

» Fazer o georreferenciamento de uma imagem ou um mapa ou de qualquer outra forma de informação geográfica é tornar suas coordenadas conhecidas num dado sistema de referência. Esse processo começa com a obtenção das coordenadas de pontos da imagem ou do mapa a serem georreferenciados, conhecidos como pontos de controle. Os pontos de controle são locais que oferecem uma feição física perfeitamente identificável, tais como intersecções de estradas e de rios, represas, pistas de aeroportos, entre outros.